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Governo Trump cobra ‘proposta satisfatória’ para não punir Brasil em cota de açúcar

Os Estados Unidos reduziram a quantidade de açúcar que podem comprar do Brasil com tarifas baixas. Essa cota especial caiu de quase 156 mil para 100 mil toneladas. Agora, o governo americano diz que pode devolver parte desse volume cortado, mas só se o Brasil fizer uma proposta comercial que eles considerem boa.

O anúncio foi feito por um alto funcionário do Departamento de Agricultura dos EUA. Ele participava de um evento do setor açucareiro americano. A informação foi repassada de forma urgente pela equipe agrícola da embaixada do Brasil em Washington.

O corte representa uma queda de quase 36% na permissão especial de exportação. Caso o Brasil não atenda às condições dos americanos, essas quase 60 mil toneladas extras serão distribuídas para outros países. A decisão final deve ser tomada nas próximas semanas.

Como funciona a cota de açúcar

Todo ano, os Estados Unidos abrem uma cota para importar 1,1 milhão de toneladas de açúcar bruto de cana. Esse sistema é um compromisso antigo dentro da Organização Mundial do Comércio. O produto que entra dentro desse limite paga uma tarifa muito reduzida.

O açúcar que excede a cota enfrenta uma barreira pesada. A tarifa extra pode chegar a 340 dólares por tonelada. Esse custo adicional impacta diretamente o preço final e a competitividade do produto brasileiro no mercado americano.

Para o ciclo que começa em outubro, a maior cota foi para a República Dominicana, com 189 mil toneladas. As Filipinas vêm em segundo lugar, com 145 mil toneladas. O Brasil, que antes tinha a segunda maior parcela, agora ocupa a terceira posição.

O que os EUA esperam do Brasil

O comunicado interno não detalha o que seria uma "proposta comercial satisfatória". No entanto, há um ponto de pressão conhecido há anos. Os Estados Unidos querem que o Brasil reduza a tarifa de 18% que incide sobre o etanol americano.

O governo brasileiro já sinalizou que toparia discutir essa redução. A condição, porém, seria os EUA abrirem mais espaço para o açúcar do Brasil nas suas importações. Até agora, não houve um acordo que satisfizesse os dois lados.

A representante brasileira em Washington argumentou que o Brasil sempre preencheu toda a sua cota. Isso demonstraria capacidade de fornecer o produto e confiabilidade como parceiro comercial. A indústria americana também teria demanda pelo açúcar brasileiro.

O contexto da relação comercial

Esse impasse ocorre em um momento de tensão nas relações entre os dois países. A situação já era delicada por causa de uma série de sobretaxas aplicadas pelo governo anterior dos EUA sobre produtos brasileiros.

Recentemente, houve ainda o cancelamento do visto da embaixadora brasileira em Washington. O Brasil, por sua vez, negou vistos a alguns funcionários americanos e ainda não deu aval para o embaixador indicado por Trump começar seu trabalho em Brasília.

No ano passado, o Brasil exportou cerca de 292 mil toneladas de açúcar bruto para os EUA. A cota é preenchida por produtores do Nordeste. O volume que vai além dela vem principalmente das usinas do Sudeste, onde a colheita é mais mecanizada.

O impacto das tarifas extras

Além da tarifa normal fora da cota, o açúcar brasileiro enfrenta sobretaxas extras. Elas foram impostas após investigações comerciais dos EUA. Somadas, essas barreiras podem tornar o produto brasileiro menos atrativo para os compradores americanos.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar afirmou que o Brasil é um fornecedor confiável de açúcar de alta qualidade. A entidade espera que as conversas avancem de forma construtiva. O objetivo é evitar a criação de novas barreiras que atrapalhem o comércio.

A expectativa do setor é que se encontre uma solução negociada. A incerteza sobre as quotas e tarifas complica o planejamento das exportações. Para os produtores, ter acesso previsível ao mercado americano é um ponto muito importante.

As novas regras entrarão em vigor a partir do próximo mês de outubro. Elas valerão por um ano. Até lá, a negociação entre os governos deve continuar nos bastidores. O resultado vai definir o fluxo de açúcar brasileiro para os Estados Unidos.

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