O Banco do Brasil informou ao Supremo Tribunal Federal que não participará de uma audiência de conciliação marcada para o próximo dia 13. O encontro, convocado pelo ministro Luiz Fux, tem como objetivo destravar o acordo que pretende salvar o BRB, o Banco de Brasília.
A instituição argumenta que não foi convocada de forma adequada e que não representa os outros bancos envolvidos no caso. Além disso, a presidente Tarciana Medeiros teria um compromisso público inadiável na mesma data, relacionado à divulgação dos resultados trimestrais do banco.
O impasse gira em torno de um empréstimo bilionário do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, para o governo do Distrito Federal. O valor, de R$ 6,6 bilhões, é essencial para recapitalizar o BRB e cobrir um rombo deixado por operações problemáticas com o extinto Banco Master.
O pedido de dispensa e os argumentos do BB
Em documento enviado ao STF, o Banco do Brasil foi enfático ao negar que exista um consórcio de bancos atuando como fiador da operação. A instituição afirma que nunca se colocou como representante das demais financeiras e, portanto, não deveria ser a única intimada para a audiência.
O banco também destacou que, se o formato final do acordo não exigir mais a fiança dos bancos, a presença deles na reunião se torna desnecessária. Por outro lado, se a participação do BB for considerada obrigatória, então todos os outros bancos citados no processo também deveriam ser convocados.
Para o caso de o ministro insistir na sua presença, o BB pede para ser representado pelo seu diretor jurídico, Alexandre Bochetti Nunes. A justificativa é a agenda da presidência, que prioriza a transparência com o mercado e os investidores na divulgação dos resultados.
A reação do governo federal e os entraves
Do outro lado, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reagiu com contrariedade às acusações de inércia feitas pelo Governo do Distrito Federal. Ele classificou a declaração como totalmente descabida e ressaltou que o problema do BRB tem origem em fatos ligados ao próprio banco e ao escândalo do Banco Master.
Durigan afirmou que técnicos da pasta estão em reuniões constantes para viabilizar as garantias necessárias e analisar a estrutura da operação junto ao FGC e aos bancos. Segundo ele, o governo federal se dispôs a ajudar e fechou o acordo possível dentro das circunstâncias.
O principal obstáculo atual, na avaliação do ministro, não está na União, mas na apresentação de um plano de negócios crível para a recuperação do BRB. Ele garantiu que não há inércia por parte do governo federal e que levará esse posicionamento à audiência no Supremo.
O cenário de incerteza e os próximos passos
A situação deixa o futuro do BRB em um limbo preocupante. O prazo para a implementação de medidas preventivas de capitalização, apresentado ao Banco Central, já se esgotou sem que as ações saíssem do papel. Isso aumenta a pressão por uma solução definitiva.
O acordo no STF é visto como a última esperança para evitar consequências mais graves. A ideia de vincular recursos de fundos de participação de estados e municípios para garantir o empréstimo do FGC é um dos pontos que ainda precisam ser detalhados e aceitos.
Enquanto isso, a população e o mercado financeiro aguardam uma definição. A audiência com o ministro Fux, com ou sem a presença do Banco do Brasil, será um momento crucial para desatar esse nó e tentar restabelecer a confiança na instituição financeira pública do Distrito Federal.
Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.