Tudo indica que o cenário político do Distrito Federal ganhará um novo nome de peso nas urnas. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deve confirmar sua candidatura ao Senado em convenção do PL marcada para este domingo. O senador Flávio Bolsonaro, seu enteado, é esperado no evento para dividir o palanque, sinalizando a recente reconciliação familiar.
Aliados próximos afirmam que a decisão final será tomada no próprio dia da convenção. A tendência, no entanto, é que ela aceite a disputa, seguindo um plano eleitoral traçado em conjunto com o marido. A saúde de Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, era uma condição importante para Michelle, mas essa barreira parece ter sido superada.
Este será o primeiro evento eleitoral após a paz firmada entre Flávio e sua madrasta. Na convenção nacional do partido, no último sábado, já houve trocas públicas de gentilezas. Flávio a mencionou em discurso e Michelle enviou um vídeo, onde citou a possibilidade de uma conversa futura com o presidenciável.
A estruturação da chapa e influência no DF
Com a provável entrada de Michelle na corrida pelo Senado, a composição das chapas no Distrito Federal sofreu ajustes significativos. A deputada federal Bia Kicis, por exemplo, também será candidata ao Senado, já que cada estado elege dois representantes. A influência da ex-primeira-dama foi decisiva nesse rearranjo.
Ela também trabalhou para que o PL apoiasse a reeleição da governadora Celina Leão, sua amiga pessoal. Com isso, o senador Izalci Lucas, que pretendia concorrer ao governo, ficou sem espaço na chapa e migrou para a disputa de uma vaga na Câmara dos Deputados. O grupo de Michelle ainda apoia outras candidaturas aliadas.
Dois de seus irmãos terão papéis diretos nessa empreitada. Diego Torres Dourado será o primeiro suplente na chapa ao Senado. Já Eduardo Torres será lançado candidato a deputado distrital. Eduardo era um dos responsáveis pelos cuidados de Bolsonaro, mas a Justiça não autorizou sua entrada na casa durante o regime de prisão domiciliar.
O impacto da reconciliação na campanha nacional
A reaproximação entre Michelle e Flávio Bolsonaro vai além do cenário local. Ela é vista como uma peça estratégica para a campanha presidencial do enteado. Isolado politicamente, Flávio busca uma vice mulher para tentar reduzir sua rejeição junto a esse público. O nome de Michelle chegou a ser especulado, mas aliados de ambos descartam a ideia por enquanto.
A briga familiar, exposta publicamente em vídeos em junho, era um ponto negativo para Flávio. Agora, a ex-primeira-dama se torna uma ponte importante com o eleitorado evangélico. Como presidente do PL Mulher, ela construiu uma rede de aliadas pelo país que pode oferecer capilaridade à campanha do senador.
A trégua foi articulada durante semanas pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e por amigas próximas de Michelle. O diagnóstico era claro: a discórdia dentro da família fragilizava o desempenho eleitoral de ambos, atrapalhava os planos do partido e limitava a mobilização geral. A união, portanto, era vista como necessária.
Nesta sexta-feira, Valdemar se reuniu com Michelle para tratar do assunto. Ele afirmou que a decisão final passará por uma conversa com Jair Bolsonaro. A convenção de domingo, portanto, deve ser o palco onde essa movimentação familiar se consolidará, definindo os rumos das eleições no Distrito Federal e ecoando na campanha nacional.
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