Você sempre atualizado

Mendonça autoriza PF a investigar Lulinha sob suspeita de tráfico de influência

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de um novo inquérito. O alvo principal é Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente da República. A Polícia Federal quer investigar suspeitas de corrupção e tráfico de influência.

O foco são as tentativas de obter autorização para comercializar cannabis medicinal no Ministério da Saúde. Segundo os investigadores, a influência teria sido exercida junto à pasta e até no gabinete da Presidência. A ação foi solicitada na última sexta-feira e distribuída para análise nesta quarta.

Lulinha atua no ramo ao lado da empresária Roberta Luchsinger e do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. O pedido da PF também menciona contatos dos investigados com servidores públicos. Uma linha aponta que eles atuariam a favor da empresa World Cannabis, ligada ao Careca.

Os investigados e suas defesas

A defesa de Lulinha afirmou que não vai comentar um inquérito do qual não teve conhecimento oficial. Eles questionam a competência do Supremo para conduzir o caso. Para os advogados, uma nova investigação separada da Operação Sem Desconto mostra que não encontraram ligação com as fraudes do INSS.

A defesa de Roberta Luchsinger disse não ter informações sobre um novo inquérito. Eles alegam que os fatos já são objeto de apurações em curso. A assessoria afirmou ainda não haver razão para reabrir o caso, sugerindo que a motivação poderia ser explorada politicamente perto de um período eleitoral.

O lobista Careca do INSS, que está preso desde setembro, também é citado. Sua defesa afirmou não ter conhecimento do pedido e não se manifestou. O Ministério da Saúde emitiu uma nota reforçando que nunca teve contrato com a World Cannabis ou com os acionistas citados, nem fez repasses a eles.

Os detalhes das suspeitas

Os investigadores buscam apurar se houve pagamentos do lobista Careca para a RL Consultoria, de Roberta Luchsinger. O objetivo é descobrir se existiram repasses a agentes públicos. A PF pediu ao STF autorização para compartilhar provas coletadas na Operação Sem Desconto, que investiga desvios na previdência.

Um dos objetivos dos empresários seria viabilizar um contrato com o Ministério da Saúde para compra de medicamentos à base de cannabis. Esse negócio, no entanto, nunca foi concretizado. Em depoimento a uma CPI no ano passado, Careca disse que sua prosperidade vem de trabalho honesto.

Anteriormente, a defesa de Lulinha admitiu que o lobista pagou despesas dele em uma viagem a Portugal. Roberta Luchsinger já disse que prestou consultoria ao Careca na área de canabidiol e que apresentou o lobista a Lulinha em um contexto social. Ela ressaltou que seu contrato não previa comercialização de substâncias.

O caminho da investigação no STF

O pedido da PF chegou ao Supremo durante o recesso do Judiciário. O caso foi enviado à presidência da corte porque os fatos não estariam diretamente ligados à Operação Sem Desconto. Essa operação, que mira fraudes no INSS, já tem André Mendonça como relator.

Quem analisou o pedido primeiro foi o ministro Alexandre de Moraes, em plantão. Ele pediu um parecer da Procuradoria-Geral da República. A PGR entendeu que as quebras de sigilo revelaram a prática de crimes sem relação com a operação do INSS, opinando pelo sorteio de um novo relator.

O ministro sorteado para conduzir o inquérito foi justamente André Mendonça. No fim do ano passado, o presidente Lula chegou a declarar publicamente que seu filho deveria ser investigado se houvesse envolvimento em irregularidades. Ele afirmou que ninguém ficaria livre, incluindo ministros de seu governo.

Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.