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Lula diz que falará com Trump em meio a crise diplomática entre Brasil e EUA

O presidente Lula quer conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para propor uma reunião entre as grandes potências mundiais. A ideia é buscar uma saída negociada para os conflitos internacionais atuais, especialmente diante da crise diplomática recente entre Brasil e Estados Unidos. A iniciativa reflete uma tentativa de retomar o diálogo em um momento de tensões.

A declaração foi dada em entrevista ao canal Os Três Elementos, um dia depois de os Estados Unidos revogarem o visto da embaixadora do Brasil em Washington. Lula classificou essa decisão americana como irresponsável e impensada, aprofundando uma crise que já vinha se arrastando. O presidente demonstrou clara insatisfação com a medida, que considera uma pressão injusta.

O governo americano anunciou a revogação do visto de Maria Luiza Viotti, primeira mulher a comandar a embaixada brasileira em Washington. A justificativa foi que a medida poderia ser revertida se o Brasil aprovasse o embaixador indicado por Trump para Brasília. O governo brasileiro rejeita essa interpretação, afirmando que o processo diplomático não tem prazo definido para conclusão.

Diálogo entre potências

Lula afirmou que já buscou os líderes da China e da Rússia com a mesma proposta de diálogo. Ele disse ter ligado para Xi Jinping na semana passada e conversado com Vladimir Putin recentemente. O objetivo é convencê-los, junto com Trump, a se reunirem para discutir os conflitos globais.

“São cinco pessoas, se reúnam, tomem um café, um vinho, um uísque, qualquer coisa”, disse o presidente, com tom direto. Ele enfatizou a falta de um fórum internacional adequado para essas negociações de alto nível. A ideia é que os membros mais importantes do Conselho de Segurança da ONU assumam essa responsabilidade.

O presidente completou pedindo que essas potências “coloquem o fim nesse conflito”. A fala ocorre em meio ao pior momento das relações entre Brasil e Estados Unidos desde o início do segundo governo Trump. A crise diplomática parece ter acelerado a busca por uma mediação internacional liderada por Lula.

Tensões e retaliações

Além da questão do visto, Lula mencionou outro ponto de atrito. Ele afirmou ter pedido a Trump que permitisse a entrada nos EUA de onze autoridades brasileiras proibidas de viajar ao país. A solicitação, segundo ele, não foi atendida pelo governo americano, aumentando o desgaste.

Em seguida, o presidente disse que o Itamaraty agiu corretamente ao barrar funcionários do Departamento de Estado americano. Esses funcionários viriam ao Brasil, segundo relatos, para lançar dúvidas sobre a integridade do processo eleitoral brasileiro. A medida foi vista como uma retaliação proporcional.

Lula também lembrou que o próprio governo Trump está há mais de um ano sem indicar um embaixador efetivamente em exercício no Brasil. Para ele, a decisão de Washington foi desproporcional, considerando essa ausência prolongada de um representante diplomático americano em Brasília.

Relação de altos e baixos

A relação entre Lula e Trump alternou momentos de aproximação e atrito desde a volta do republicano à Casa Branca. Após meses de tensão por causa de tarifas comerciais e críticas públicas, os dois tiveram seu primeiro encontro presencial em setembro de 2025. O evento ocorreu durante a Assembleia-Geral da ONU, em Nova York.

Na ocasião, ambos disseram que havia disposição para retomar o diálogo bilateral. A aproximação ganhou força concreta em maio deste ano, quando Lula foi recebido por Trump na Casa Branca. Os presidentes conversaram por cerca de três horas sobre temas variados, de comércio a segurança.

Ao final daquela reunião, Lula afirmou que saía muito satisfeito, enquanto Trump classificou o encontro como muito bom. Os dois anunciaram a criação de um canal de negociação direto entre seus governos, gerando expectativa de uma fase mais colaborativa. No entanto, o clima voltou a azedar nas semanas seguintes.

Negociações sem avanços

Desde o encontro na Casa Branca, representantes dos dois governos mantiveram negociações sobre temas comerciais e diplomáticos. As conversas, no entanto, não produziram avanços duradouros ou acordos concretos que revertessem a escalada de desconfiança. Os impasses parecem se acumular.

A crise do visto da embaixadora se tornou o episódio mais recente e grave dessa sequência. Ela expõe a fragilidade da relação e a dificuldade de estabelecer uma agenda comum estável. A proposta de Lula para uma cúpula de potências surge, assim, em um contexto diplomático complexo.

O presidente busca reposicionar o Brasil como um mediador internacional, mesmo enquanto gerencia uma crise bilateral séria. Seu apelo por um diálogo direto entre EUA, China e Rússia reflete uma visão de que apenas as maiores potências podem destravar os conflitos globais atuais. O convite para “tomarem um café” simboliza essa busca por uma conversa franca, longe dos protocolos rígidos.

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