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Extremistas aliados a bolsonaristas atacam candidata do Brasil na ONU

A corrida pelo posto mais alto das Nações Unidas ganhou um novo capítulo, com desdobramentos que envolvem diretamente o Brasil. A ex-presidente do Chile, Michele Bachelet, é uma das seis candidatas ao cargo de secretária-geral da ONU e conta com o apoio oficial do governo brasileiro. Essa decisão, no entanto, colocou o país no centro de uma disputa política internacional acirrada.

A candidatura de Bachelet já enfrenta ventos contrários desde que a situação política no Chile mudou. A vitória eleitoral do conservador José Antonio Kast fez com que seu próprio país retirasse o endosso oficial à sua campanha. Apesar disso, Brasil e México decidiram manter e impulsionar sua nomeação, assumindo a liderança na busca por apoios diplomáticos.

Para consolidar esse esforço, o presidente Lula tratou do assunto diretamente com o líder russo, Vladimir Putin. O trabalho de bastidores coordenado pela diplomacia brasileira tem sido fundamental. Graças a essa articulação, Bachelet segue sendo recebida por chefes de Estado em diversas capitais ao redor do mundo.

O caminho até a eleição, porém, é complexo e cheio de obstáculos. A escolha final ocorre no Conselho de Segurança da ONU, onde a candidata precisa obter a maioria dos votos. Mais do que isso, é crucial que nenhum dos cinco membros permanentes do conselho decida usar seu poder de veto contra seu nome.

A expectativa histórica é que, pela primeira vez, uma mulher possa ocupar a liderança da organização. A definição deve começar a ganhar forma ainda no final de agosto. Enquanto os governos negociam, uma campanha organizada por grupos ultraconservadores tenta influenciar o processo de fora para dentro.

Os ataques partem de uma entidade chamada CitizenGo, que atua em vários países. Nas redes sociais, o grupo espalha conteúdos que misturam fatos reais do governo de Bachelet com desinformação pura. A narrativa construída acusa a chilena de ter uma agenda radical contra os valores familiares tradicionais.

A máquina de desinformação em ação

A estratégia de comunicação é agressiva e bem orquestrada. Em uma petição online, o grupo alega que uma vitória de Bachelet levaria a uma perseguição a igrejas, escolas e famílias. As acusações são genéricas, mas soam familiares: ela seria defensora do aborto e da chamada ideologia de gênero, buscando minar a unidade familiar.

As imagens usadas são pensadas para causar impacto. Em uma peça de campanha, o rosto da ex-presidente foi colocado na entrada da sede da ONU, segurando uma bandeira do movimento LGBT. A legenda pede uma reação pública contra essa feminista radical, tentando vincular sua imagem a uma suposta ameaça global.

É importante lembrar que o cargo em disputa não tem poderes absolutos. A secretária-geral da ONU não define políticas sozinha. Todas as medidas importantes partem de resoluções aprovadas pelos países membros, em um processo coletivo. A campanha de difamação, portanto, distorce a natureza do trabalho.

Os laços com o cenário político brasileiro

A ofensiva não se limita ao cenário internacional. A filial brasileira da CitizenGo direciona seus ataques também ao governo Lula, por apoiar a candidatura. Em postagens, afirmam que Bachelet não representa as aspirações do povo brasileiro, tentando criar um conflito entre a posição oficial e a população.

A atuação do grupo no Brasil vai muito além dessa candidatura. Eles já fizeram campanhas contra brinquedos da Lego, banheiros unissex e defenderam uma Copa do Mundo sem ativismo. Suas bandeiras frequentemente se alinham com pautas do bolsonarismo, ultrapassando a defesa de costumes tradicionais.

Há um envolvimento claro com a política partidária local. A entidade declarou apoio à CPMI do Banco Master antes das revelações sobre suas conexões políticas. O deputado Carlos Jordy já elogiou publicamente o trabalho do grupo, chamando-o de essencial para pautas importantes do país.

Uma estrutura consolidada nos bastidores

A CitizenGo não é um movimento espontâneo ou novo. Ela existe há mais de uma década, atuando nos bastidores para promover uma agenda ultraconservadora. Investigação do site The Intercept, em 2019, revelou que a organização chegou a treinar ativistas diretamente no território brasileiro.

Seus métodos são contínuos e adaptáveis. Recentemente, aliou-se ao Instituto Isabel para protestar contra a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal. Representantes do ato visitaram os gabinetes de mais de quarenta senadores para pressionar contra a nomeação.

O discurso repetido focava numa suposta posição abortista do indicado. Esse padrão de atuação mostra uma máquina bem oleada, que replica as mesmas táticas em diferentes frentes. O objetivo final parece ser sempre o mesmo: influenciar decisões de alto escalão através de pressão pública organizada e narrativas alarmistas.

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