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Escolas privadas ficam estagnadas no Ideb e reduzem abismo com a rede pública

Os números mais recentes sobre a educação básica no Brasil trazem uma notícia curiosa. O desempenho das escolas particulares, que sempre lideraram os índices, praticamente parou no tempo. Em alguns casos, até recuou um pouco. Enquanto isso, a rede pública conseguiu dar alguns passos à frente, mesmo partindo de uma posição mais atrás. O resultado é que o fosso entre os dois sistemas está um pouco menor do que era antes da pandemia.

Essa aproximação acontece porque as escolas estaduais e municipais têm apresentado melhoras contínuas. O indicador usado para medir isso é o Ideb, que combina notas de provas e taxas de aprovação. Nos anos iniciais do ensino fundamental, por exemplo, a rede pública alcançou a média de 6,1. É um avanço considerável em relação aos últimos levantamentos.

Por outro lado, a rede privada registrou uma ligeira queda nessa mesma etapa, voltando à média de 7,1 que já tinha em 2019. A distância, que era de 1,4 ponto, agora é de 1 ponto. A evolução é lenta, mas perceptível. Nos anos finais do fundamental e no ensino médio, o movimento se repete: a pública sobe, enquanto a particular oscila ou cai.

### Um retrato detalhado dos resultados

Olhando para cada etapa de ensino, o cenário fica mais claro. Nos anos iniciais, do 1º ao 5º ano, a rede pública alcançou 6,1 no Ideb. Foi um salto de 0,4 ponto em relação à última medição. Já as escolas particulares tiveram uma pequena redução de 0,1 ponto, ficando em 7,1. A vantagem ainda é grande, mas não é mais a mesma de antes.

Nos anos finais, do 6º ao 9º ano, a situação é parecida. As instituições privadas seguem estagnadas no mesmo patamar de 2019, com nota 6,4. As públicas, por sua vez, evoluíram de 4,6 para 5. A caminhada é longa, mas a direção parece estar correta. No ensino médio, a mudança é ainda mais nítida: as particulares tiveram queda, indo de 6 para 5,8.

Enquanto isso, as escolas públicas do ensino médio foram de 3,9 para 4,3. A diferença absoluta ainda é significativa, isso é inegável. Mas o fato de uma estar subindo e a outra não crescer – ou até cair – muda a perspectiva. Isso mostra que políticas focadas podem gerar impacto, mesmo em um sistema complexo e desafiador como o público.

### O que significam esses números na prática

As notas do Ideb e das provas que o compõem têm uma tradução muito concreta: o tempo de aprendizado. Especialistas calculam que uma diferença de cerca de 12 pontos nas médias de português e matemática equivale a um ano inteiro de estudos. Ou seja, não se trata apenas de números abstratos, mas de uma defasagem real que afeta a vida dos estudantes.

Comparando as redes, a distância no aprendizado é grande. No 5º ano, os alunos da rede privada têm uma vantagem que representa quase dois anos de estudo a mais em leitura e cálculos. Em matemática, a diferença de pontuação foi de mais de 26 pontos. Em português, foi de 22 pontos. São gaps que se acumulam com o passar dos anos.

Conforme os estudantes avançam, o abismo só aumenta. No ensino médio, a diferença em matemática chega a mais de 42 pontos. Isso significa que um jovem de escola pública está, em média, mais de três anos atrás no aprendizado da disciplina. Em português, a defasagem é de cerca de 2,5 anos. Reduzir essa desigualdade continua sendo o grande desafio.

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