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Eduardo Bolsonaro tinha cofre com R$ 250 mil

Um ex-aliado próximo de Eduardo Bolsonaro fez revelações sobre a movimentação financeira do parlamentar. Alexandre Junqueira, conhecido como "Carioca de Suzano", deu detalhes sobre um suposto esquema dentro do antigo gabinete do deputado. Ele descreveu a existência de um cofre físico usado para guardar dinheiro.

Segundo seu relato, valores chegavam a R$ 250 mil neste cofre. A origem desse montante seria a devolução ilegal de parte dos salários por funcionários. Essa prática é popularmente chamada de "rachadinha". O dinheiro ficava armazenado no próprio gabinete na Câmara dos Deputados.

Junqueira afirma que a maior parte desse valor teve um destino específico. O ex-deputado federal teria usado os recursos para uma entrada em um imóvel. O apartamento fica na cidade do Rio de Janeiro. A compra foi realizada com pagamento em dinheiro vivo.

A origem do dinheiro no cofre

A operação envolvia funcionários que recebiam seus salários integralmente. Eles devolviam uma parte dos vencimentos em seguida. Esse dinheiro retornado era então depositado no cofre. O esquema foi narrado por Junqueira em uma entrevista detalhada.

Sonaira Fernandes, na época assessora do gabinete, teria contado os detalhes. A conversa ocorreu durante um encontro em São Paulo. Ela explicou o mecanismo de arrecadação e armazenamento dos valores. O dinheiro se acumulava até ser retirado para uso.

O ex-aliado diz que um assessor administrava todo o processo. O nome citado é Eric de Castro Roma, que também é servidor da Polícia Federal. A reportagem não conseguiu localizá-lo para ouvir sua versão dos fatos. Junqueira alega ter participado da entrega de valores.

A compra dos apartamentos com dinheiro vivo

Eduardo Bolsonaro utilizou quantias significativas em espécie em negócios imobiliários. Em 2016, ele comprou um apartamento de um milhão de reais em Botafogo. A escritura registra o pagamento de R$ 100 mil "em moeda corrente do país".

Isso significa que o valor foi entregue em dinheiro vivo no cartório. O restante do imóvel foi financiado junto à Caixa Econômica Federal. O apartamento foi adquirido pouco antes do início da campanha eleitoral de 2018.

Outra aquisição aconteceu em Copacabana, no ano de 2011. O valor total do imóvel foi R$ 160 mil na época. Desse total, R$ 50 mil foram pagos em cédulas, conforme a escritura. O documento registra a expressão "moeda corrente, tudo conferido e achado certo".

A relação e a ruptura entre os aliados

Alexandre Junqueira conheceu Eduardo Bolsonaro através das redes sociais em 2017. Ele começou a produzir vídeos de apoio à família e foi convidado para ser motorista. A proximidade cresceu, e ele participou de eventos privados com os Bolsonaro.

Após a eleição, Junqueira foi nomeado funcionário do deputado estadual Gil Diniz. Diniz havia sido assessor de Eduardo e foi eleito para a Assembleia Legislativa de São Paulo. Foi nesse período que Junqueira diz ter tomado conhecimento do esquema do cofre.

A relação se desgastou completamente em 2019. Junqueira acusou publicamente Gil Diniz de coagir servidores a devolver salários. Ele foi exonerado do cargo e levou o caso ao Ministério Público. O processo foi arquivado por falta de provas suficientes.

As consequências jurídicas e políticas

Eduardo Bolsonaro enfrenta uma série de questões judiciais. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de quatro anos de prisão. A condenação se deve ao crime de coação durante um processo. A sentença também o tornou inelegível por oito anos.

Seu mandato de deputado federal foi cassado por excesso de faltas. O parlamentar reside nos Estados Unidos com sua família desde o início de 2025. A ausência prolongada no exterior motivou a perda do cargo eletivo.

A Procuradoria-Geral da República chegou a analisar as compras dos imóveis. Uma apuração preliminar foi aberta, mas rapidamente arquivada. Nenhuma diligência foi realizada para investigar a origem do dinheiro em espécie. O deputado nunca explicou publicamente a fonte dos recursos.

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