A sexta-feira começou com um tom de cautela nos mercados financeiros. O dólar até tentou uma queda logo pela manhã, mas logo mudou de ideia e voltou a subir. Esse vai e vem reflete a indecisão dos investidores diante de dois eventos importantes. Todos estão de olho na decisão sobre os juros, que sai na próxima semana, e nos rumos da tensão geopolítica no Irã.
Por volta das três da tarde, a moeda americana valia R$ 5,089, uma alta de quase 0,4%. A Bolsa de Valores, por outro lado, operava no vermelho. O principal índice, o Ibovespa, recuava 0,34%, ficando próximo dos 177 mil pontos. Esse movimento de queda interrompe um breve alívio. Em julho, o índice teve sua primeira alta mensal depois de quatro meses consecutivos de perdas.
O volume de negócios já passava de nove bilhões de reais. Entre as empresas, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) se destacava negativamente. Suas ações caíam mais de 4% após um anúncio preocupante. A empresa prevê um prejuízo entre 1,3 e 1,4 bilhão de reais apenas no primeiro semestre deste ano. O valor é bem superior à perda registrada no mesmo período de 2023.
A expectativa para a taxa de juros
A próxima reunião do Copom, marcada para quarta-feira, é o centro das atenções. O comitê do Banco Central decide o novo patamar da taxa Selic, nossa taxa básica de juros. O mercado majoritariamente espera um corte de 0,25 ponto percentual. Se confirmado, será a quarta redução seguida nesse mesmo ritmo, levando a taxa para 14% ao ano.
Essa expectativa tem uma relação direta com as projeções para a inflação. Analistas consultados pelo BC reduziram pela quinta semana seguida a previsão para 2026. A estimativa caiu de 5,12% para 5,03%. Apesar da melhora, o número ainda fica acima do teto da meta oficial, que é de 4,5%. Com uma inflação esperada mais baixa, sobra menos pressão para manter os juros em níveis altíssimos.
Vale lembrar que, até pouco tempo atrás, a Selic estava fixada em 15% ao ano. Esse foi o patamar mais elevado desde 2006 e durou oito longos meses. A perspectiva para os próximos anos é de uma descida gradual. O mercado já projeta taxas de 12% no fim de 2027, 10,5% em 2028 e 10% em 2029, sempre que a inflação permitir.
Como a guerra afeta os preços
As notícias geopolíticas também ditam o ritmo do mercado. Um possível alívio nas tensões no Oriente Médio trouxe impacto imediato. A suspensão de um ataque militar dos Estados Unidos ao Irã acalmou os ânimos. O pedido partiu da Arábia Saudita, preocupada com danos a poços de petróleo na região do Golfo Pérsico.
Com a trégua, o preço do petróleo despencou. O barril do tipo Brent, referência global, chegou a cair mais de 4,6%, sendo negociado próximo a 83 dólares. Essa volatilidade no preço da commodity afeta todos os custos logísticos e industriais ao redor do mundo, com reflexos aqui no Brasil.
Outros ativos considerados refúgio em tempos de crise também sentiram o baque. O ouro fechou mais barato em Nova York, cotado a pouco mais de 4 mil dólares a onça-troy. A prata, por outro lado, teve uma leve alta. Esse movimento mostra como os investidores migram seu dinheiro entre diferentes opções conforme o cenário de risco global muda.
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