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Dívida pública sobe a 81,9% do PIB, maior nível desde a pandemia

O Brasil tem uma conta que não para de crescer. Os números mais recentes do Banco Central mostram que a dívida do setor público atingiu 81,9% do Produto Interno Bruto em junho. Esse valor representa cerca de R$ 10,8 trilhões em obrigações financeiras assumidas por todos os entes da federação.

Esse percentual funciona como um termômetro da saúde das contas públicas. Ele indica a capacidade do país de honrar seus compromissos no longo prazo. Um número muito elevado aumenta o risco em momentos de crise econômica.

Desde o início do governo Lula, essa relação dívida/PIB subiu 10,2 pontos percentuais. O patamar atual é o maior desde abril de 2021, quando o país ainda sentia os efeitos pesados da pandemia. A trajetória atual aproxima o Brasil do recorde histórico de 87,7% registrado naquele período.

Por que a dívida pública afeta seu dia a dia

Uma dívida alta pressiona os juros básicos da economia para cima. Taxas de juros mais altas encarecem todo tipo de crédito, desde empréstimos para empresas até financiamentos de carro e casa para pessoas físicas. Isso freia os investimentos e o consumo.

O efeito prático é um crescimento econômico mais lento. Com menos atividade, a geração de empregos também fica comprometida. É um ciclo que pode se retroalimentar, dificultando a vida de quem quer empreender ou simplesmente organizar o próprio orçamento.

A analogia é simples: uma pessoa com muitas dívidas paga juros mais altos no banco. Com um país acontece o mesmo. O risco percebido pelos credores aumenta, e a taxa para rolar a dívida pública sobe. Essa é a conta que acaba chegando para todo mundo.

Como a situação do Brasil se compara com outros países

Existe mais de uma forma de medir a dívida. Pelo critério usado pelo Fundo Monetário Internacional, o número brasileiro é ainda maior: 95,8% do PIB em junho. Por essa métrica, estamos muito perto do recorde absoluto de 96,7%, visto em 2021.

Quando comparado ao fim de 2025, o Brasil aparecia com um nível de endividamento bem acima da média de outras economias emergentes e de países da América Latina. Nossa dívida era superior até à média de nações do Oriente Médio e da África Subsaariana.

Apesar disso, o percentual brasileiro seguia abaixo do verificado em economias avançadas, como as do G7. Especialistas debatem qual é o parâmetro ideal de comparação para o Brasil, considerando características únicas de nossa economia, como um mercado financeiro doméstico robusto.

A trajetória da dívida ao longo dos últimos governos

A escalada consistente da dívida pública começou em 2015. Até 2014, o indicador se manteve em um patamar relativamente estável. A partir do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, porém, houve um salto de dez pontos percentuais em um único ano.

O crescimento continuou nos anos seguintes, atingindo o pico absoluto em 2020, durante o governo Bolsonaro, devido aos gastos extraordinários com a pandemia de Covid-19. Curiosamente, apesar dessas despesas, a dívida encerrou aquele governo em um nível mais baixo do que começou.

No atual governo, a relação dívida/PIB subiu seis pontos percentuais em cerca de dois anos e meio. O movimento foi impulsionado por um conjunto de decisões que elevaram os gastos públicos. Olhando o histórico, cada mandato recente deixou sua marca específica no nível de endividamento.

Os caminhos para tentar conter a escalada

Especialistas da Instituição Fiscal Independente estimam que seriam necessários superávits primários acima de 2% do PIB para estabilizar a dívida. Só assim seria possível abrir caminho para uma queda sustentada dos juros básicos. Esse, porém, é um desafio complexo.

O governo Lula aprovou um novo arcabouço fiscal em 2023, com regras que limitam o crescimento das despesas. A ideia é que os gastos não avancem mais do que 70% do aumento da arrecadação. O objetivo central é justamente controlar a trajetória futura da dívida pública.

Na prática, porém, exceções às regras e despesas fora do orçamento têm dificultado o equilíbrio. O resultado primário, que é a diferença entre arrecadação e gastos sem contar os juros, segue negativo. O mercado financeiro defende que, além de arrecadar mais, é preciso cortar gastos de forma prioritária.

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