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O que esperar de Abelardo de la Espriella, que assume o poder na Colômbia

A Colômbia vive um dia de virada histórica neste fim de semana. Enquanto o presidente Gustavo Petro se despede do cargo, seu sucessor, Abelardo de la Espriella, se prepara para assumir em meio a protestos. A troca de governo marca mais do que uma mudança de pessoas. Ela simboliza uma inversão completa de rumo, tanto dentro do país quanto na forma como a Colômbia se relaciona com o mundo.

Petro, o primeiro presidente de esquerda do país, chegou ao poder com a promessa de uma “Paz Total”. Sua estratégia envolvia diálogo com grupos armados e uma postura soberana frente aos Estados Unidos. Agora, de la Espriella, um empresário até pouco tempo desconhecido no cenário político, promete um caminho oposto. Seu plano é muito mais alinhado com os interesses de Washington.

Essa guinada já começa a tomar forma nas ruas. Organizações sociais e o partido de Petro, o Pacto Histórico, convocaram manifestações em várias capitais para o dia da posse. É um sinal claro de que a transição não será pacífica nem consensual. Uma nova e intensa fase política se inicia para o país vizinho.

### Um novo eixo na política externa

A diplomacia colombiana está prestes a passar por uma transformação radical. O presidente eleito deixa claro que seu modelo é o de Donald Trump. Ele prometeu fazer o país aderir ao projeto Escudo das Américas, uma iniciativa estadunidense. O alinhamento com Washington não é apenas retórico. Ele está presente na escolha das pessoas que vão comandar a chancelaria.

O novo chanceler, Omar Bula Escobar, é conhecido por suas críticas ferrenhas à China, à ONU e ao multilateralismo. O vice-presidente, José Manuel Restrepo, já declarou que Trump é o “salvador do Ocidente”. Essa equipe deixa poucas dúvidas sobre a direção. A Colômbia quer se tornar um aliado crucial e quase incondicional dos Estados Unidos na região.

Esse reposicionamento terá consequências práticas e imediatas. De la Espriella anunciou o fechamento de várias embaixadas, especialmente na África. A medida mais impactante, porém, é o rompimento de relações com Cuba. O governo alega custos, mas os gastos com diplomacia representam apenas 0,35% do orçamento nacional. A motivação, portanto, é claramente ideológica.

### A guinada conservadora e seus riscos

O alinhamento com os EUA também se reflete em outros temas sensíveis. O novo governo promete reabrir a embaixada colombiana em Jerusalém, revertendo uma decisão de Petro. Com isso, a Colômbia entrará em um grupo minúsculo de países que reconhecem a cidade como capital de Israel. É uma mudança que pode isolá-la em fóruns multilaterais.

Essa estratégia, no entanto, carrega um risco intrínseco. Ela aposta todo o seu crédito na permanência do trumpismo no poder nos Estados Unidos. Se a correlação de forças mudar em Washington, a Colômbia pode ficar em uma posição frágil. O país perderia influência e ficaria sem o apoio do seu principal aliado em um momento crucial.

O isolamento não seria apenas diplomático. Ao criticar instituições multilaterais e se afastar de parceiros tradicionais, a Colômbia pode ter dificuldade para tratar de questões globais. Temas como a crise climática, negada pelo próprio chanceler, exigem cooperação internacional. Focar apenas em um eixo pode sair caro no longo prazo.

### A política interna na mira da mudança

Dentro de casa, a prioridade do novo governo será a segurança. De la Espriella promete um enfrentamento direto e duro contra os grupos armados. Seu projeto, chamado de “Plano Colômbia 2.0”, inclui a construção de megapresídios e a flexibilização do porte de armas. É uma mudança completa em relação à política de diálogo do governo anterior.

Na economia, a palavra de ordem é austeridade. O plano envolve uma reforma fiscal, corte de ministérios e a contenção do crescimento dos gastos públicos. O déficit fiscal colombiano é alto, cerca de 6,4% do PIB. A questão é como o ajuste será feito. Se atingir programas sociais e investimentos públicos, o custo para a população pode ser severo.

Para governar, porém, de la Espriella precisará de apoio no Congresso. O Pacto Histórico, de Petro, ainda tem a maior bancada no Senado. O presidente eleito deverá negociar com partidos de centro e direita para formar uma base. Essas alianças, no entanto, terão um preço. Dificilmente esses partidos apoiarão pacotes legislativos completos sem concessões.

### A reação e os movimentos de oposição

A esquerda colombiana não ficará parada. As manifestações do dia da posse são apenas o primeiro ato. Líderes sociais já alertam que o objetivo é defender as conquistas dos últimos anos e resistir a qualquer ofensiva contra os movimentos populares. Eles veem o novo governo como uma ameaça séria à sua própria existência.

Há propostas no Congresso que ilustram esse temor. Senadores aliados ao novo governo já falam em criar um “dia do anticomunismo” e em aprovar leis para restringir protestos. Para os movimentos sociais, isso significa que a prática de oposição terá de ser refinada. A resistência precisará ser estratégica e constante.

O cenário que se desenha é de polarização acentuada. De um lado, um governo com agenda conservadora e alinhamento internacional claro. De outro, uma oposição fortalecida institucionalmente e disposta a ir para as ruas. Os próximos anos na Colômbia serão marcados por esse embate. O resultado moldará não apenas o país, mas sua influência em toda a América do Sul.

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