Viviane Araújo segue com o coração batendo no ritmo do surdo. A rainha de bateria do Salgueiro, uma das figuras mais icônicas do Carnaval carioca, acaba de confirmar que a magia da avenida ainda faz parte do seu dia a dia. Em uma conversa recente, ela deixou claro que não se vê longe da folia, mesmo após quase vinte anos à frente daquela que é uma das mais tradicionais agremiações do Rio.
A paixão pelo Salgueiro e pela sua história parece ser o motor que a mantém em movimento. A escola já definiu seu enredo para 2027, um resgate poderoso. Eles vão contar novamente a história de Chica da Silva, um tema que já garantiu um título à escola no passado. Para Viviane, essa escolha vai muito além de uma simples repetição.
Ela vê nisso uma chance de reconectar com as raízes do Salgueiro. A escola sempre teve um papel crucial em narrar a trajetória e a força da população negra no Brasil. Revisitar Chica da Silva é uma forma de honrar essa missão e de fortalecer os laços com a própria ancestralidade. É sobre lembrar de onde se veio para planejar para onde se vai.
A decisão pelo enredo já está gerando uma grande mobilização. Segundo Viviane, a comunidade do Salgueiro abraçou a ideia com entusiasmo total. A repercussão positiva também chegou a artistas e personalidades diretamente ligadas à história de Chica. Essa união de forças promete trazer ainda mais peso e emoção para o desfile.
Nomes importantes do cenário cultural estão se juntando ao projeto. A rainha citou, por exemplo, a presença de artistas como Taís Araújo e Zezé Motta, que devem contribuir com o enredo. Ter pessoas tão significativas envolvidas não é apenas um apoio simbólico. É uma forma de garantir que a história seja contada com a profundidade e o respeito que merece.
Depois de um período de cerca de seis meses longe dos compromissos oficiais da escola, Viviane planeja retomar a rotina na quadra. Essa pausa, no entanto, foi apenas das atividades carnavalescas. Os cuidados com o bem-estar, que são fundamentais para aguentar o ritmo intenso dos ensaios e desfiles, nunca pararam.
Ela reforça que manter a saúde em dia é a prioridade máxima. Esse cuidado constante com o corpo e a mente é o que permite que ela continue nessa jornada há tanto tempo. A pausa serve justamente para recarregar as energias e voltar com tudo para o próximo ciclo de preparação.
Quando o assunto é o futuro, Viviane demonstra uma visão muito realista. Perguntada se um dia imagina se afastar do Carnaval, ela reconhece que essa hora vai chegar. No entanto, esse momento ainda parece distante no seu horizonte. A conexão com a avenida e com a escola ainda é forte demais para ser rompida.
Ela admite que não consegue se ver longe dessa realidade. O Carnaval se tornou uma parte inseparável da sua vida e da sua identidade. Apesar da consciência de que nada é para sempre, o amor pela folia fala mais alto no momento. Enquanto touver energia e paixão, ela pretende seguir no comando da bateria.
Paralelamente aos preparativos para o próximo Carnaval, Viviane vive uma grande conquista na vida pessoal. Ela e a família estão construindo a sua nova casa, um projeto que tem consumido boa parte da sua atenção. Cada detalhe do novo lar está sendo pensado com muito carinho, especialmente para criar um espaço acolhedor para o seu filho.
Ela garante, porém, que essa empreitada não atrapalha os planos para a avenida. É possível conciliar os dois projetos com organização e dedicação. A nova casa representa a realização de um sonho antigo, um lugar idealizado por toda a família. É um refúgio particular que ganha forma aos poucos.
E o Carnaval, claro, também terá seu cantinho especial nesse novo lar? Viviane brinca que seria complicado guardar todas as suas fantasias e adereços em casa, já que a quantidade é enorme. A maior parte do material fica armazenada no ateliê da escola, que é o local mais adequado.
Alguns itens, no entanto, são guardados com um carinho especial. São peças às quais ela criou um apego emocional, verdadeiras relíquias de desfiles passados. Além disso, a rainha já adotou uma postura mais sustentável em sua trajetória. Ela conta que várias vezes reciclou materiais e reutilizou elementos de fantasias antigas em novas criações.
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