O interfone toca, mas ninguém atende. Quem está dentro olha pela janela e fecha a cortina rapidamente. A insistência não adianta. A casa, em uma rua simples de Marília, no interior paulista, não parece combinar com o perfil de dono de um resort de luxo.
Na garagem, três carros estão estacionados: um BYD, um Toyota Etios e um Volkswagen Taos. Juntos, eles valem cerca de quatrocentos mil reais. Este é o endereço de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.
O imóvel também foi registrado como sede da Maridt Participações. Essa empresa tinha parte em um resort chamado Tayayá e em outra companhia no Paraná. Acabou vendendo sua participação por quase sete milhões de reais.
Os laços familiares e o resort
Funcionários do hotel ainda veem os Toffoli como donos do empreendimento. Eles dividiriam a propriedade com Paulo Humberto Barbosa, um advogado que trabalha para a JBS. O local oferece piscinas aquecidas, caiaques e até um cassino.
O ministro Dias Toffoli costuma chegar ao resort de helicóptero. Enquanto isso, empresas ligadas a seus parentes tiveram um sócio incomum: o fundo Arleen, vinculado ao extinto Banco Master. Esse fundo foi liquidado pelo Banco Central por fraudes.
Justamente por ser relator de processos envolvendo o Banco Master no STF, a atuação do ministro é questionada. A pressão para que ele se afaste do caso só aumenta. A situação coloca um holofote intenso sobre os negócios da família.
A vida discreta e as negociações
Desde que o caso veio à tona, os parentes do ministro evitam aparecer em Marília. A família é uma das mais influentes da cidade. Uma avenida em construção leva o nome do pai, Luiz Toffoli.
Quando procurado, outro irmão, o padre José Carlos (conhecido como Carlão), foi direto. "A Maridt já deu a sua comunicação. Passar bem e até logo", disse pelo interfone antes de desligar. Por causa da sociedade na empresa, ele se afastou de sua paróquia.
Hoje, como cônego, ele só pode rezar missas quando convidado. Seus vizinhos notam que ele não aparece há semanas. Padre Carlão teria se mudado para uma chácara, enquanto a casa onde morava agora está alugada pelo irmão.
As vendas e os valores envolvidos
Na nota enviada, José Eugênio afirma que a Maridt saiu do resort em duas etapas. A primeira venda foi para o grupo Arleen, em setembro de 2021. A segunda foi para a PHD Holding, em fevereiro de 2025. Ele garante que tudo foi declarado à Receita.
Contudo, os registros da Junta Comercial do Paraná contam uma história com prazos mais longos. A saída total do negócio aconteceu ao longo de anos. Em 2021, a Maridt vendeu parte por pouco mais de seiscentos mil reais ao Arleen.
A saída definitiva só ocorreu em 2025, com o recebimento de setecentos mil reais da PHD. A outra empresa envolvida, a DGEP, também teve suas cotas vendidas em momentos similares, totalizando milhões de reais.
Outros personagens e o silêncio
Entre os familiares, quem aparenta melhor situação financeira é Mario Umberto Degani, primo do ministro. Ele mora em um condomínio fechado onde casas valem milhões. Degani era um dos fundadores do grupo do resort desde 1999.
Documentos mostram que ele deixou a sociedade entre julho e setembro de 2025. O valor recebido por sua saída foi de doze milhões de reais. A reportagem tentou contato, mas foi informada na portaria que ele havia viajado.
A família também teve um prefeito em Marília, José Ticiano Toffoli, que governou entre 2011 e 2012. Não há registros de seu envolvimento com o resort Tayayá. Assim como os demais, ele não respondeu aos pedidos de contato. O silêncio é a resposta mais comum.
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