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Uefa cita ‘esquema secreto’ e diz que perdeu confiança em Infantino na Fifa

Imagine a cena: a FIFA, aquela entidade gigante que comanda o futebol mundial, quase vendeu uma fatia dos direitos da Copa do Mundo. A proposta surgiu de forma acelerada e pegou todo mundo de surpresa. Felizmente, a pressão das confederações continentais fez o plano ser arquivado.

A UEFA, que comanda o futebol europeu, foi a voz mais alta contra a ideia. Eles publicaram um comunicado bastante duro neste sábado, criticando a falta de transparência. O processo foi classificado como um esquema secreto, elaborado às pressas por pessoas que não se identificaram.

O tom do texto é de alívio, mas também de desconfiança. A entidade comemora a vitória, porém deixa claro que o assunto não está encerrado. Agora, começa um trabalho para tentar reconstruir a confiança na liderança atual da FIFA, que parece ter se desgastado bastante.

Críticas diretas ao presidente

O alvo principal das críticas foi o presidente da FIFA, Gianni Infantino. A UEFA lembrou publicamente das promessas feitas por ele durante a campanha para a presidência, em 2016. Na época, ele garantiu que a gestão seria transparente e que o dinheiro da entidade pertencia às associações.

No entanto, o plano de criar uma empresa e vender parte dela a investidores privados foi visto como o oposto disso. A UEFA afirmou que o acordo foi obscuro e negociado nos bastidores, sem o diálogo prometido. Essa atitude, segundo eles, quebrou a confiança não só da Europa, mas de muitas outras federações pelo mundo.

A entidade também questionou a necessidade financeira da manobra. Eles destacam que a FIFA tem reservas superiores a cinco bilhões de dólares guardadas. Com tanto dinheiro parado, não faria sentido "vender a prata da família" para buscar mais recursos, como eles mesmo disseram.

O polêmico plano em detalhes

Mas, afinal, o que era essa proposta que causou tanta celeuma? A ideia era criar uma subsidiária chamada FIFA Forward Enterprise. Essa nova empresa concentraria os direitos comerciais de eventos como a própria Copa do Mundo. A estimativa de valor para esse negócio era astronômica: cerca de vinte bilhões de dólares.

Desse total, até vinte por cento das ações seriam vendidas a investidores privados. Isso representaria uma injeção de mais de quatro bilhões de dólares nos cofres da entidade. A justificativa era gerar mais receita com patrocínios e transmissões, mas mantendo a organização das competições sob seu controle.

O anúncio formal foi feito na terça-feira, e a reação foi imediata e negativa. A UEFA chegou a anunciar um boicote a torneios da FIFA caso o plano seguisse adiante. Diante da pressão generalizada, a entidade global recuou, afirmando que só prosseguiria com a aprovação da maioria de suas 211 associações-membro.

Os próximos passos e a lição

Com a proposta retirada da mesa, o futebol respira aliviado, mas fica o aprendizado. A UEFA já sinalizou que vai trabalhar com outras confederações para entender como um plano desse tipo chegou a ser elaborado. O objetivo é criar mecanismos para que situações semelhantes não se repitam no futuro.

Eles também pretendem discutir uma nova forma de distribuir os recursos já existentes. A sugestão é usar parte das reservas bilionárias da FIFA para impulsionar o futebol de base em todos os países filiados. A ideia é que o dinheiro, que já está disponível, seja efetivamente usado em benefício do esporte.

O episódio deixou uma ferida de desconfiança na governança do futebol mundial. Reverter essa imagem será um longo processo. A vitória de agora mostrou o poder da união das confederações, mas também expôs que a transparência precisa ser mais do que um discurso de campanha.

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