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Toffoli acata pedido da PGR e bloqueia bens de Tanure

O Supremo Tribunal Federal determinou o bloqueio dos bens do empresário Nelson Tanure. A medida segue um pedido da Procuradoria-Geral da República e acontece no mesmo valor já solicitado para Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A decisão do ministro Dias Toffoli foi tomada no início de janeiro.

A reportagem teve acesso ao documento que detalha a ordem judicial. Toffoli acatou os argumentos da PGR, que citou indícios da Polícia Federal sobre a atuação de Tanure. Segundo as investigações, ele seria um sócio oculto do Banco Master, usando fundos e estruturas societárias complexas para exercer influência.

O ministro destacou a urgência da medida para garantir o sequestro do patrimônio. Enquanto isso, o empresário conhecido por investir em companhias problemáticas se mantém em silêncio sobre a decisão do STF. Ele apenas emitiu uma nota dias depois, negando qualquer vínculo societário com a instituição financeira.

A investigação e a defesa do empresário

A operação que levou ao bloqueio é a chamada Compliance Zero. Ela investiga fraudes envolvendo o Banco Master por meio de fundos de investimento. Na semana anterior à decisão do STF, Tanure já havia sido alvo de busca e apreensão em sua segunda fase.

A ação policial resultou no sequestro de valores impressionantes. No total, foram bloqueados bens no montante de R$ 5,7 bilhões de todos os envolvidos. O caso mostra a dimensão financeira que está sob escrutínio das autoridades.

Em sua defesa, Nelson Tanure foi categórico. Ele afirmou, em nota pública, nunca ter tido participação no banco. “Não fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio”, declarou. A negação direta contrasta com as conclusões apresentadas pela Polícia Federal ao ministro do Supremo.

Uma trajetória marcada por negócios complexos

A atual investigação parece ser um ponto alto em uma carreira repleta de controvérsias. Tanure atua no mercado desde a década de 1990, saindo da Bahia para construir seu império no Rio de Janeiro. Seu nome frequentemente surge em momentos de turbulência corporativa.

Seu portfólio de investimentos é vasto e focado em setores sensíveis. Recentemente, ele moveu recursos para empresas como a produtora de óleo e gás Prio e a incorporadora Gafisa. Também entrou no capital da distribuidora de energia Light, da varejista Dia e da Alliança Saúde.

No passado, sua atuação foi ainda mais expressiva em crises. Ele teve participação relevante na operadora Oi durante um período crítico e assumiu o controle do extinto jornal Gazeta Mercantil. Também foi dono do tradicional Jornal do Brasil, reforçando um padrão de entrar em cena quando as águas estão mais revoltas. Esse histórico dá a real dimensão do impacto que a atual decisão judicial pode ter em seus negócios.

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