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Temporal com ventos de até 120 km/h no RS deixa rastro de destruição e 290 mil sem luz

Um ciclone bomba atingiu o Rio Grande do Sul com força total. O fenômeno, que combinou uma frente fria intensa com a formação de um ciclone no oceano, trouxe ventos que pareciam um gigante furioso soprando sobre o estado. Rajadas ultrapassaram 120 km/h em Porto Alegre, derrubando tudo pela frente. A imagem de telhados voando, árvores arrancadas e postes caídos se repetiu em diversas cidades. A força da natureza deixou um rastro de destruição e apreensão em toda a região.

O temporal não poupou ninguém. Em Pedro Osório, no sul do estado, a força dos ventos chegou a formar um tornado. Ele surgiu de uma supercélula, que é uma tempestade com rotação interna, por volta das cinco da tarde de quinta-feira. Esse fenômeno destelhou casas em poucos minutos. Apenas uma semana antes, outro tornado já havia causado estragos em cidades como Giruá. A sequência de eventos extremos acende um alerta sobre a intensidade das mudanças climáticas atuais.

Os estragos foram generalizados. Pelo menos 118 municípios reportaram problemas à Defesa Civil estadual. A queda de árvores e estruturas foi a principal causa dos danos. Alagamentos também ocorreram em várias localidades. Em Porto Alegre, uma árvore caiu sobre a rede aérea de energia em Sapucaia do Sul. Esse acidente interrompeu completamente a operação dos trens urbanos durante a noite. O caos se estendeu por muitas horas.

O saldo trágico do temporal

A passagem violenta do ciclone teve um custo humano doloroso. A Defesa Civil confirmou uma morte e cinco pessoas feridas em decorrência da tempestade. A vítima fatal foi um homem que trafegava de moto na rodovia RS-124, em Montenegro. As circunstâncias exatas ainda são investigadas. Pode ser que uma árvore tenha caído sobre ele ou que ele tenha colidido com um tronco já caído na pista.

Entre os feridos, um caso chama atenção em Novo Hamburgo. Um homem se enroscou em fios soltos durante o vendaval e precisou de atendimento com maior urgência. Em Osório, um militar foi atingido por um estilhaço enquanto estava dentro da viatura em serviço. Outras três pessoas sofreram ferimentos leres em Dom Feliciano. Cada caso mostra os perigos invisíveis que um temporal desses pode trazer.

A diretora do Departamento de Gestão de Risco da Defesa Civil, Ana Maria Hermes, destacou que a grande maioria dos problemas veio dos ventos fortíssimos. Um número menor de ocorrências teve relação com chuva de granizo. O poder destrutivo do ar em movimento superou até mesmo a força das águas da chuva intensa que acompanhou o fenômeno.

Cidades mais afetadas e os impactos

Os números da falta de energia elétrica dão a dimensão do problema. Quase 300 mil unidades consumidoras ficaram no escuro na manhã seguinte ao temporal. As duas concessionárias do estado, CEEE Equatorial e RGE, trabalharam para restabelecer o fornecimento. Pelotas foi a cidade mais afetada, com mais de 47 mil unidades sem luz. A lista segue com Novo Hamburgo, Gravataí e Cachoeirinha entre os municípios com maior número de atingidos.

Outras cidades registraram rajadas de vento impressionantes. Canoas teve ventos de 113 km/h, e Arroio Grande anotou 106,4 km/h. Em Quaraí, choveu mais de 40 milímetros em apenas doze horas. A força das águas e do vento desalojou muitas famílias. Até o final da noite de quinta, pelo menos 121 pessoas estavam abrigadas em outros locais. Cachoeira do Sul, Uruguaiana e Lajeado foram algumas das cidades que receberam esses desabrigados temporários.

Até um presídio em Pelotas sofreu com a fúria do tempo. Parte do muro do pátio desabou com a força do vento. Equipes municipais trabalharam a noite toda para retirar os escombros. A Polícia Penal reforçou a segurança do local imediatamente. Uma equipe de engenharia foi deslocada para avaliar os estragos na estrutura. O episódio mostra como o ciclone afetou todos os tipos de edificação, sem distinção.

A resposta às emergências

Diante de um cenário tão crítico, a mobilização foi rápida. A Defesa Civil estadual e as equipes municipais trabalham sem parar desde a noite de quinta. O foco inicial está na avaliação de danos e no atendimento às pessoas mais vulneráveis. A prioridade é garantir a segurança de quem perdeu sua casa ou ficou isolada por quedas de árvores e bloqueios de estradas.

O restabelecimento da energia elétrica é outra frente de batalha crucial. Equipes das concessionárias percorrem as cidades para religar os fios e reconstruir a rede danificada. Esse trabalho é perigoso e demorado, dado a extensão dos estragos. Enquanto a luz não volta, muitos gaúchos enfrentam dificuldades com comunicação, refrigeração de alimentos e outros aspectos básicos do dia a dia.

A situação meteorológica segue sendo monitorada de perto. A formação de um ciclone bomba, com sua rápida intensificação, pegou muitos de surpresa. Esse evento extremo serve como um alerta para a importância dos sistemas de aviso prévio. A população precisa estar atenta aos comunicados oficiais em dias de tempo severo. Seguir as orientações da Defesa Civil pode ser a diferença entre a segurança e o perigo.

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