O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não estará no protesto marcado para a avenida Paulista no próximo domingo. Na data do evento, ele já estará em Frankfurt, na Alemanha, participando de um fórum internacional de diálogo. Sua agenda inclui um painel sobre logística e transporte, assunto que está no centro de seus projetos para o estado.
Enquanto isso, outros dois nomes fortes da direita confirmaram presença no ato. Os governadores Romeu Zema, de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado, de Goiás, devem comparecer à manifestação. A presença de Zema ganha um contraste particular, uma vez que seu estado enfrenta as consequências das fortes chuvas que causaram dezenas de mortes.
O protesto foi convocado pelo deputado federal Nikolas Ferreira e carrega o lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”. A organização do evento, no entanto, não é unânime entre os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde seu anúncio, há duas semanas, a manifestação já nasceu envolta em polêmicas e disputas internas.
Divergências estratégicas no ato
Uma parte significativa do grupo bolsonarista avalia que o momento não é propício para focar no impeachment do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Para esses aliados, a estratégia poderia ser contraproducente e desviar a atenção de bandeiras consideradas mais urgentes. Eles preferem concentrar esforços em duas reivindicações específicas.
A principal delas é a anistia aos investigados pelos eventos do 8 de janeiro, data da invasão dos prédios dos Três Poderes em Brasília. A outra demanda forte é pela liberdade de Jair Bolsonaro, que responde a processos no Tribunal Superior Eleitoral. Essa divergência revela uma tensão sobre qual deve ser o foco tático do movimento.
Essa não é a primeira vez que Nikolas Ferreira se encontra no centro de críticas de setores do próprio campo. Desde o ano passado, vozes dentro da direita reclamam que o deputado estaria buscando um protagonismo próprio, distanciando-se politicamente de Bolsonaro. A organização deste ato, para alguns, seria mais um capítulo nessa busca por visibilidade.
A disputa por protagonismo político
Os aliados mais próximos do deputado rebatem as acusações com veemência. Eles atribuem as críticas a uma simples disputa por espaço e influência dentro do movimento, algo comum em qualquer cenário político. Para esse grupo, as acusações de descolamento são infundadas e refletem mais “dor de cotovelo” do que uma análise factual da atuação de Nikolas.
O fato é que a ausência de Tarcísio e a presença de Zema e Caiado pintam um quadro interessante. O evento serve como um termômetro para medir a força e a unidade da direita bolsonarista no cenário atual. Cada escolha – comparecer ou não – é lida como um posicionamento tático diante do eleitorado.
Enquanto as ruas da Paulista se preparam para receber os manifestantes, as conversas nos bastidores seguem intensas. A coordenação de um movimento político amplo sempre envolve ajustes e negociações. O domingo mostrará, na prática, como essas diferentes visões e estratégias se manifestam publicamente.
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