Era domingo, dez e meia da manhã, e uma chuva forte caía sobre Brasília. Lúcia Helena, de 68 anos, e Maria Eli, de 58, saíram do hotel rumo à praça do Cruzeiro. Elas se juntaram à multidão que aguardava a chegada de uma caminhada política.
Um estrondo ensurdecedor cortou o ar. Lúcia chegou a desmaiar e, ao acordar, pensou em um atentado. A cena era de confusão: pessoas corriam, e sua amiga Maria Eli era levada para debaixo de uma tenda. Um raio havia atingido a praça lotada.
O episódio deixou quase noventa vítimas. Maria Eli foi uma das mais graves, com queimaduras no corpo e uma forte sensação de ardência. Ela segue internada, mas já apresenta sinais de melhora. Lúcia, com ferimentos mais leves, pôde contar como tudo aconteceu.
A decisão de viajar
A jornada começou dias antes, impulsionada por um vídeo na internet. Maria Eli, de Jacareí, enviou a gravação para a amiga Lúcia, que mora em Olímpia, ambas no interior de São Paulo. Elas consideravam a figura política do vídeo uma pessoa do bem.
Lúcia então deu o impulso final: “Na idade que a gente está, a gente não pode passar vontade”. As duas, amigas há quatro décadas, são aficionadas por viagens pelo país. Decidiram ir juntas a Brasília para participar do evento.
Maria Eli comemorou seu aniversário com os filhos antes de partir. Ela seguiu para Olímpia, onde encontrou Lúcia. Juntas, colocaram uma bandeira do Brasil no carro e começaram a viagem de carro, parando para descansar em Cristalina, Goiás.
O susto e a recuperação
No hospital, o quadro de Maria Eli exigiu cuidados intensos. Ela foi transferida para uma UTI em Taguatinga e recebeu medicação forte para controlar a dor intensa. As queimaduras no pescoço e no peito eram visíveis.
Apesar do susto e da gravidade, seu humor e suas convicções permanecem firmes. Em um momento de lucidez, ela fez uma declaração impactante à amiga: “Se eu tivesse morrido, também não teria problema. Morreria por uma causa justa, nobre”.
Lúcia, já recuperada, acompanha de perto a melhora da companheira. Ela relata que Maria Eli já consegue interagir melhor e que os médicos estão otimistas. O incidente, traumático, não abalou a visão que as duas têm do motivo da viagem.
As convicções pessoais
Para Lúcia, a ida a Brasília foi motivada por valores que ela considera fundamentais. Ela defende que o país precisa ser conduzido por pessoas honestas, que façam bom uso do dinheiro público. Sua crítica ao governo atual é aberta.
Seu patriotismo, no entanto, vem de antes da política. Em 2017, ela percorreu o Caminho de Santiago carregando uma bandeira brasileira por 33 dias. Esse amor pelo país se reflete no dia a dia, em brincos, colares e adesivos nas cores nacionais.
Ela se identifica com a direita e diz que o sentimento foi fortalecido em seu coração nos últimos anos. Apesar disso, faz questão de ressaltar que analisa cada pessoa individualmente. Para ela, o voto deve ser baseado no trabalho concreto, e não apenas em simpatia pessoal.
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