O cenário político mineiro ganhou mais um capítulo surpreendente nesta semana. Depois de muita indecisão e reviravoltas, o Republicanos finalmente definiu seu candidato ao governo do estado. O partido oficializou o nome do senador Cleitinho Azevedo para liderar a chapa nas eleições deste ano. A decisão veio após uma reunião entre o parlamentar e o presidente nacional da sigla, o deputado Marcos Pereira.
A escolha representa um recuo da direção nacional do Republicanos, que havia descartado o senador anteriormente. A mudança de postura aconteceu após intensas articulações internas e pressões de aliados. O nome que estava na frente, o ex-prefeito Luis Eduardo Falcão, foi um dos principais defensores da volta de Cleitinho ao topo da chapa.
A situação se resolveu em São Paulo, onde Cleitinho se encontrou pessoalmente com a cúpula do partido. O aval final partiu do presidente estadual do Republicanos em Minas, deputado Euclydes Pettersen. A formalização da candidatura deve acontecer nos próximos dias, dentro do prazo legal estabelecido pela Justiça Eleitoral.
Um candidato com força nas pesquisas
Cleitinho Azevedo aparece como forte favorito em todos os levantamentos de intenção de voto no estado. Uma pesquisa recente da Quaest, por exemplo, lhe atribui trinta e cinco por cento das preferências no primeiro turno. Ele mantém uma vantagem confortável de mais de vinte pontos sobre seu principal concorrente.
O senador também lidera todas as simulações de um possível segundo turno. Esse desempenho robusto nas pesquisas foi um fator decisivo para convencer a executiva nacional do partido. A força eleitoral do candidato é vista como um trunfo importante para toda a coligação.
Essa popularidade, no entanto, convive com um histórico recente de hesitações públicas. O próprio Cleitinho mudou de posição sobre sua candidatura em pelo menos três ocasiões distintas. Membros da sigla afirmam que, internamente, as idas e vindas foram ainda mais numerosas, criando um clima de instabilidade.
O tumultuado caminho até a candidatura
A trajetória do senador rumo à disputa pelo governo foi marcada por altos e baixos. Na última terça-feira, ele interrompeu a convenção nacional do Republicanos para pedir para ser candidato. O gesto, considerado inadequado por muitos, chegou a render uma repreensão pública do presidente Marcos Pereira.
Pouco antes, ele havia divulgado um vídeo explicando que não poderia concorrer. O motivo seria um momento de fragilidade familiar, após o falecimento de seu irmão. A notícia da morte, ocorrida em julho, impactou profundamente o parlamentar e sua decisão inicial de recuar.
Essa instabilidade fez com que a direção do partido temesse uma desistência no meio da campanha. Por isso, optaram inicialmente por outro nome. A percepção era de que não poderiam contar com uma candidatura sujeita a tantas mudanças de humor e declarações contraditórias.
As razões por trás da mudança de ideia
Dois motivos principais levaram o Republicanos a reconsiderar e lançar Cleitinho. O primeiro foi o risco de desmoronamento da chapa proporcional para a Assembleia Legislativa. Muitos novos filiados ingressaram no partido atraídos pela força eleitoral do senador como candidato a governador.
Eles viam em Cleitinho um grande cabo eleitoral, capaz de arrastar votos para outros candidatos da legenda. Sem sua presença no topo da chapa, a eleição de deputados estaduais poderia ser severamente prejudicada. A sobrevivência da bancada na assembleia estava em jogo.
O segundo motivo foi um compromisso de alinhamento com as regras partidárias. Em suas declarações, o presidente Marcos Pereira citou o "aprendizado" do senador em respeitar os processos internos. A promessa de disciplina e o potencial de eleger uma bancada forte falaram mais alto.
Os reflexos na disputa nacional
A definição do Republicanos em Minas Gerais tem consequências que vão além das fronteiras do estado. A decisão cria um cenário incerto para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. O PL, partido do candidato, contava com uma aliança sólida tendo Cleitinho como postulante ao governo.
Minas Gerais é considerado o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo. Ter um aliado forte no estado é visto como estratégico para qualquer candidato à Presidência. A expectativa era que Cleitinho impulsionasse os votos de Flávio Bolsonaro na região.
Com a confirmação da candidatura do senador pelo Republicanos, o PL precisou ajustar seus planos. A legenda agora lança o ex-presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, para o governo mineiro. Para o Senado, o partido apresenta o deputado federal Domingos Sávio, compondo uma chapa totalmente própria.
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