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Republicanos barra Cleitinho por causa de vídeo espírita e porque ele atrapalha partido

O cenário político mineiro viveu uma reviravolta nesta semana. O Republicanos, partido com forte ligação com a Igreja Universal do Reino de Deus, decidiu não levar adiante a candidatura do senador Cleitinho ao governo do estado. A decisão foi comunicada pelo presidente nacional da legenda, o deputado Marcos Pereira, em uma nota oficial. O texto explica os motivos da cúpula partidária, mas a história completa vai um pouco além da superfície.

A justificativa oficial aponta para uma sequência de indefinições por parte do próprio senador. Segundo o partido, houve meses de diálogo e oferta de condições políticas para viabilizar a campanha. A expectativa era tão grande que outras decisões estratégicas foram adiadas. A ausência de Cleitinho na convenção estadual do partido, no último dia 25, parece ter sido o ponto final. Sem uma confirmação clara, os aliados precisaram se reorganizar.

O comunicado é direto ao afirmar que faltou uma decisão firme do pré-candidato. O texto destaca o dever do partido de agir com responsabilidade perante seus filiados e a população. Em resumo, a estrutura estava pronta, mas a vontade de concorrer, de fato, não se concretizou. A nota encerra com um tom de respeito à trajetória do senador, mas reforça que os fatos falam por si só. A partir daí, a política mineira seguiu outro rumo.

A liderança nas pesquisas e um vídeo polêmico

Curiosamente, a decisão partidária veio em um momento de alta nas intenções de voto para Cleitinho. Pesquisas recentes o mostravam liderando a corrida em Minas Gerais, com cerca de 36% a 39% da preferência. O estado é o segundo maior colégio eleitoral do país, com mais de dez milhões de eleitores. Esse potencial eleitoral tornava o senador uma peça teoricamente valiosa para qualquer legenda.

No entanto, no mesmo dia da divulgação desses números favoráveis, o senador publicou um vídeo peculiar. A produção, criada com inteligência artificial, mostrava Cleitinho em conversa com avatares de seu pai e irmão, ambos falecidos. Nas imagens, os espíritos da família o “ungiam” como candidato a governador. O material, visto como bizarro por muitos, circulou rapidamente em suas redes sociais e nos perfis de assessores.

Esse episódio ilustrava bem o estilo político do senador, muitas vezes marcado por provocações e um linguajar agressivo. Para um partido com o perfil do Republicanos, alinhado a valores de certos grupos religiosos, a associação com imagens de teor espírita era especialmente delicada. O vídeo, portanto, acabou sendo um tiro pela culatra em um momento crucial de definições.

Os interesses reais por trás da decisão

A rejeição ao vídeo foi apenas um dos fatores. A movimentação interna do Republicanos em Minas Gerais envolve outros nomes de peso. Um deles é o do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, agora filiado ao partido. Sua candidatura depende de uma análise favorável da Justiça Eleitoral sobre sua elegibilidade, uma questão sensível e em aberto.

A situação de Cunha não é isolada. Candidaturas semelhantes em outros estados, como a de Anthony Garotinho no Rio, também aguardam esse mesmo tipo de sinal verde judicial. O entendimento com os tribunais superiores, portanto, se tornou uma peça fundamental na estratégia nacional do Republicanos. Manter uma figura imprevisível como Cleitinho no jogo poderia colocar esses acordos em risco.

Além disso, Minas Gerais é um estado de grande importância para as operações da Igreja Universal, que detém a concessão original da TV Record na região. A campanha exigiria um fundo eleitoral considerável e uma postura mais conciliadora. A avaliação interna foi de que o estilo conflituoso do senador poderia drenar recursos e criar atritos desnecessários, inclusive com a própria Justiça Eleitoral. A política profissional mineira, conhecida por seus bastidores complexos, simplesmente não tinha espaço para amadorismos.

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