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Professores acusam colégio católico de intolerância religiosa e assédio moral em Cuiabá

Um grupo de professores de um colégio tradicional de Cuiabá fez uma denúncia grave. Eles acusam a direção da escola de assédio moral, intolerância religiosa e desrespeito à diversidade. O caso foi parar no sindicato da categoria, que reuniu todos os relatos em uma carta formal. O documento descreve um ambiente de trabalho marcado por autoritarismo e perseguição.

A direção do colégio, por sua vez, nega todas as acusações. Em uma nota oficial, os gestores disseram que as mudanças recentes podem ter causado tensões, mas que buscam o diálogo. A escola afirma respeitar a legislação trabalhista e se diz disposta a apurar qualquer fato concreto que seja formalmente relatado, sem retaliações.

O Ministério Público do Trabalho já abriu um procedimento para investigar as denúncias de assédio moral. A investigação também vai verificar se a escola descumpriu um acordo firmado com o órgão anos atrás, que proíbe justamente esse tipo de prática. A instituição declarou que colabora integralmente com a apuração.

A polêmica do anúncio de vaga

Um ponto que chamou muita atenção foi um anúncio de emprego publicado pela escola. A vaga era para orientador educacional e, entre os requisitos, pedia que o candidato fosse "católico praticante". Para especialistas em direito, essa exigência em uma escola privada, mas sem finalidade religiosa exclusiva, pode configurar discriminação.

A Constituição garante a liberdade de crença e a lei trabalhista proíbe critérios discriminatórios na hora de contratar. A religião é vista como parte da liberdade individual e não pode ser usada como filtro para uma vaga. O anúncio gerou desconforto até entre ex-funcionários.

O diretor-geral da escola explicou que a expressão foi um erro no material enviado à agência de marketing. Ele afirmou que a contratação não é condicionada à religião, mas ao alinhamento com os valores pedagógicos. A vaga, segundo ele, foi preenchida com base apenas no currículo profissional.

Relatos de intolerância e pressão

A carta do sindicato também cita casos de intolerância religiosa, sem entrar em detalhes. Uma ex-funcionária contou que estudantes evangélicos tentaram organizar um momento de oração na escola. A iniciativa foi interrompida pela direção, que alegou ser uma instituição católica onde outras manifestações religiosas não seriam apropriadas.

Professores relatam que o ambiente de trabalho piorou muito. Eles se sentem responsabilizados por problemas que envolvem toda a comunidade escolar, incluindo alunos e famílias. Muitos docentes afirmam estar sob uma pressão crescente e perderam autoridade dentro de suas próprias salas de aula.

A sensação é a de que os professores viraram bodes expiatórios para todas as dificuldades. Essa percepção de desgaste e desrespeito foi um dos motivos que levou à mobilização sindical e à formalização das queixas.

Práticas de gestão questionadas

O sindicato lista uma série de práticas da gestão que são consideradas abusivas. Entre elas, está a imposição de um volume excessivo de tarefas administrativas, muitas vezes fora do horário de trabalho. Outra queixa frequente é a de que coordenadores e o vice-diretor entram nas salas sem aviso para repreender os professores na frente dos alunos.

Essas visitas surpresa, segundo os docentes, servem para constrangê-los e minar sua autoridade. A gestão também é acusada de elaborar relatórios subjetivos sobre o desempenho dos professores e de conversar com alunos para obter avaliações negativas sobre eles.

O vice-diretor confirmou que faz observações em sala, mas disse que são parte do acompanhamento pedagógico e têm caráter formativo. Ele reconheceu que a comunicação sobre essas visitas pode melhorar. A coordenadora pedagógica também negou que as práticas tenham finalidade punitiva, afirmando que são de apoio. Ambos se disseram abertos a ajustar a forma de comunicação com o corpo docente.

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