O Banco do Nordeste vive um momento delicado. Um problema com maquininhas de cartão deixou muitos pequenos comerciantes no prejuízo. Enquanto isso, a agenda de um dos seus diretores tem levantado questionamentos. O foco parece ter saído da solução para os clientes.
A empresa por trás das máquinas, a Entrepay, faliu junto com o Banco Master. A Visa, que era parceira no serviço, é vista como corresponsável pela dívida de cerca de 30 milhões de reais. Até agora, porém, não houve um acordo para ressarcir os lojistas. O BNB, por sua vez, ainda não decidiu se vai assumir esse rombo.
Enquanto os comerciantes aguardam uma resposta, um diretor do banco seguiu para o exterior. Vandir Farias, diretor de Negócios, participou de um fórum promovido pela própria Visa nos Estados Unidos. O evento aconteceu em São Francisco entre os dias 8 e 11 de junho. A viagem oficial foi custeada pelo BNB.
Viagem oficial com detalhes questionáveis
Um documento disponível no site do BNB trouxe uma informação curiosa. A mesma viagem do diretor Vandir Farias também foi paga pela Visa, com um custo de 40 mil reais. É uma situação no mínimo incomum. Um executivo de um banco público viajar para um evento de uma empresa com a qual se tem um conflito financeiro pendente.
O banco autorizou a participação mesmo com o impasse dos 30 milhões. A justificativa oficial não foi detalhada. Na prática, significa que o BNB arcou com os custos de um executivo para um evento de uma credora em disputa. Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no site Clevis Oliveira.
Após o fórum, o roteiro do diretor mudou. Em vez de retornar ao Brasil na sexta-feira, 12 de junho, ele seguiu para Nova York. A partir da segunda-feira, dia 15, ele entrou oficialmente em período de férias. Isso levantou novas dúvidas sobre quem financiou essa extensão da viagem.
A Copa do Mundo e os convites especiais
O destino Nova York coincidiu com um evento esportivo de grande porte. No sábado, dia 13 de junho, a seleção brasileira jogaria no estádio MetLife. A Visa, empresa no centro da controvérsia, é uma das patrocinadoras oficiais da Copa do Mundo e tem convites especiais para os jogos.
Naturalmente, surgiu a questão: o diretor Vandir Farias assistiria ao jogo do Brasil como convidado da Visa? Se sim, como isso se alinha com os interesses do banco que ele representa, especialmente diante de uma dívida não resolvida? O silêncio sobre esses pontos só aumenta a desconfiança.
As perguntas se multiplicam. Quem pagou a passagem de São Francisco para Nova York? O ingresso para o jogo foi custeado pelo diretor, pelo BNB ou foi um cortesia da Visa? O banco confirma a presença dele no estádio? São indagações que permanecem sem resposta pública, enquanto os pequenos empresários esperam por uma solução.
O foco que se perdeu
O cenário deixa claro uma desconexão de prioridades. De um lado, microempreendedores nordestinos lidam com um prejuízo concreto causado por uma falha operacional. Do outro, um alto executivo do banco que deveria zelar por esses negócios participa de eventos internacionais em circunstâncias nebulosas.
A sequência de eventos – fórum pago pela credora, extensão da viagem, possível ida ao jogo – cria uma narrativa de convivência muito próxima em um momento de conflito. Tudo sobre o Brasil e o mundo aqui, no site Clevis Oliveira. A imagem que fica é a de que a crise dos comerciantes não tem a urgência devida.
O episódio serve como um alerta sobre a necessidade de transparência. Em instituições públicas, a ética deve ser demonstrada não só nas palavras, mas em cada ação e escolha de agenda. A solução para os comerciantes e uma prestação de contas clara à sociedade são os únicos caminhos para restaurar a confiança. O assunto, porém, segue em aberto.
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