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PF aponta que omissão e falha de manutenção derrubaram avião da Voepass

Um laudo pericial da Polícia Federal trouxe novas informações sobre o acidente aéreo que chocou o Brasil em 2024. O documento analisou os dados de dezenas de voos realizados pela mesma aeronave antes da tragédia. As conclusões apontam para uma série de problemas recorrentes que passaram despercebidos. As famílias aguardam agora os desdobramentos jurídicos do caso.

O foco da investigação recaiu sobre o sistema de degelo do avião. Segundo o relatório, falhas neste equipamento foram registradas em pelo menos dezesseis voos anteriores ao acidente. Em alguns momentos, o sistema ligava e desligava sozinho em intervalos curtíssimos. Esses sinais de mau funcionamento, no entanto, nunca foram anotados no livro técnico da aeronave.

Essa falha no registro impediu que a manutenção corrigisse o problema a tempo. Os perícios também encontraram uma ordem de serviço que registrava a retirada de uma válvula do sistema. Não havia, porém, nenhum documento comprovando sua reinstalação. Esses detalhes mostram uma sequência de eventos que deixou a aeronave vulnerável.

A tensão na cabine de comando

As transcrições das conversas entre os pilotos revelam a tensão crescente. Horas antes do acidente, durante o voo de ida para Cascavel, a tripulação já enfrentou condições de gelo e recebeu um alerta de falha no sistema. Ao pousar, o comandante expressou seu alívio de forma contundente. “Ufa, chegamos vivos”, disse ele, conforme registrado no laudo.

Mesmo conhecendo a intermitência do sistema e com previsão de gelo na rota de volta, o avião foi despachado para decolar. Os peritos entendem que, diante das evidências, o comandante deveria ter recusado a operação. No voo fatídico, a confirmação do problema veio com um sinal sonoro. “É o Airframe que deu fault”, afirmou o piloto, segundo as gravações.

Em um momento de ironia amarga, o comandante comparou a aeronave a um Fusquinha. O comentário surgiu após o avião emitir um alerta sonoro. “Esse avião parece aquele Fusquinha, Herbie lá”, disse ele, referindo-se a um filme antigo. A fala ilustra a familiaridade da tripulação com os ruídos e alertas anormais daquela aeronave específica.

A cadeia de falhas e a responsabilidade

O laudo não afirma que um sistema de degelo funcionando teria evitado o acidente. No entanto, ele é claro ao dizer que uma aeronave com esse sistema indisponível não poderia operar naquelas condições climáticas. O avião decolou para uma área de formação severa de gelo sem a proteção adequada. Isso iniciou uma sequência de eventos incontrolável.

Os pilotos receberam sucessivos alertas de degradação de desempenho. O relatório aponta que eles não executaram, no tempo adequado, os procedimentos de emergência previstos nos manuais. Medidas como abandonar a área de gelo ou aumentar a velocidade imediatamente poderiam ter mudado o desfecho. A janela de tempo para ação, porém, era muito curta.

A conclusão dos peritos é de que uma cultura organizacional focada na continuidade das operações sobrepôs-se à segurança. Se as falhas observadas nos voos anteriores tivessem sido formalmente registradas, a aeronave teria sido impedida de voar. A investigação caminha para responsabilizar todos os envolvidos nessa cadeia de decisões, da manutenção ao despacho do voo.

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