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Patrimônio de Jaques Wagner cresce 630% em oito anos e chega a R$ 24 milhões

O patrimônio do senador Jaques Wagner deu um salto impressionante nos últimos oito anos. Em 2018, ele declarou bens no valor de 3,3 milhões de reais. Agora, o valor chega a 24,5 milhões de reais. Esse aumento de 631% vai muito além da inflação acumulada no período, que ficou em 49,4%.

A maior parte desse crescimento vem de um negócio específico: a venda de um terreno. O crédito de 13,8 milhões de reais obtido com essa transação foi o grande responsável pela mudança no patrimônio declarado. O senador vai disputar a reeleição com essa nova situação financeira.

Os números chamam a atenção e levantam perguntas sobre a origem desse crescimento. A comparação com outros políticos baianos mostra que a evolução do patrimônio de Jaques Wagner é a mais expressiva. O assunto ganhou ainda mais relevância com as investigações em curso no estado.

### A venda do terreno que mudou tudo

O ponto central da mudança patrimonial foi um terreno de 51 mil metros quadrados. A área foi vendida para o Esporte Clube Bahia e uma empresa de empreendimentos. O local fica às margens da Via Metropolitana, uma rodovia planejada e contratada quando Jaques Wagner era governador.

O senador comprou esse terreno em março de 2000, quando era deputado federal. Na época, pagou 28 mil reais, o equivalente a cerca de 130 mil reais corrigidos pela inflação. Vinte e cinco anos depois, o imóvel foi negociado por 15 milhões de reais.

Isso representa uma valorização real de aproximadamente 11.400%. Em entrevista, Jaques Wagner afirmou que abriu mão de receber indenização pela parte do terreno atingida pela estrada. Ele também minimizou o ganho, dizendo ser natural que um bem valorize em 26 anos.

### A interrupção judicial das vendas

A transferência desse terreno, no entanto, foi suspensa em junho por uma decisão do Supremo Tribunal Federal. O ministro André Mendonça determinou o bloqueio temporário de bens do senador. A medida ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura supostas irregularidades no Banco Master.

A decisão judicial impediu a conclusão da negociação até uma nova deliberação da corte. Além do terreno, o STF também interrompeu a venda de um apartamento de Jaques Wagner no Corredor da Vitória, em Salvador. O imóvel estava sendo negociado por 10 milhões de reais com o prefeito de Conceição do Coité.

Na declaração deste ano, o senador ainda listou um sítio na Chapada Diamantina, um apartamento em Salvador, carros e aplicações financeiras. O conjunto de bens forma o patrimônio total de 24,5 milhões de reais.

### A evolução patrimonial de outros candidatos

Entre os outros candidatos ao Senado na Bahia, João Roma aparece com a segunda maior evolução. Seu patrimônio cresceu 279% nos últimos oito anos, passando de 4,4 milhões para 17 milhões de reais. O ex-ministro de Bolsonaro agora possui imóveis rurais no interior do estado.

O ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, também candidato ao Senado, registrou um avanço de 87%. Ele passou de 674,3 mil reais em 2018 para 1,264 milhão agora. Desta vez, declarou ser dono de 50% de um apartamento em Salvador, avaliado em 1,2 milhão.

Já o senador Angelo Coronel, que disputa a reeleição, declarou ter 5,3 milhões de reais. Há oito anos, ele havia declarado 5,6 milhões, uma pequena variação. Eleito em 2018 na base de apoio do PT, Coronel agora concorre pela oposição.

### O cenário ampliado da disputa eleitoral

Na corrida pelo governo do estado, ACM Neto teve uma evolução patrimonial de 103% em quatro anos. Seus bens saltaram de 41,7 milhões para 84,9 milhões de reais. O governador Jerônimo Rodrigues, por sua vez, avançou 152%, indo de 515 mil para 1,3 milhão de reais.

A crise envolvendo o Banco Master acirrou as tensões na campanha baiana. O caso influencia o embate entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto, uma reedição da disputa de 2022. Um acordo para deixar o assunto de fora dos debates ruiu.

A nova orientação da campanha petista é atacar diretamente ACM Neto usando seu envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As investigações mostraram que o candidato se encontrou com Vorcaro. Além disso, uma empresa de sua família recebeu 3,6 milhões de reais do Banco Master.

Do outro lado, o senador Jaques Wagner foi alvo de operação da Polícia Federal. A PF investiga suspeita de envolvimento direto com o ex-banqueiro e aponta possível recebimento de benefícios. O caso inclui um apartamento de luxo de um dos sócios de Vorcaro.

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