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Operação contra descontos do INSS aponta esquema com imóveis e repasses ligados a senador

Uma nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta semana, trouxe à tona uma investigação da Polícia Federal sobre uma complexa estrutura de movimentação de patrimônio. A apuração mira o senador Weverton Rocha, seu círculo familiar e profissionais próximos. O foco está na circulação de grandes valores e na possível ocultação de ativos de alto padrão.

A investigação começou com dados extraídos de um celular atribuído ao parlamentar. Essas informações foram cruzadas com as já coletadas na operação original, que apura fraudes em descontos do INSS. O que surgiu desse cruzamento foi um cenário muito mais amplo, indo além da suspeita inicial.

Os investigadores passaram a mapear uma rede envolvendo empresas, imóveis luxuosos e contas bancárias. Postos de combustível, operações com dinheiro vivo e até aeronaves entraram no radar. O objetivo é entender se há um sistema organizado para administrar e esconder bens.

### O advogado no centro das operações

Na decisão que autorizou as buscas, o ministro André Mendonça destacou o papel do advogado Willer Tomaz. A Polícia Federal o descreve como uma peça central na estrutura investigada. Empresas ligadas a ele estariam no núcleo de uma complexa rede de movimentação patrimonial.

Essa rede usaria pessoas físicas e jurídicas interpostas para administrar ativos e circular valores. A função do advogado, segundo os investigadores, seria sustentar o funcionamento financeiro de todo o grupo. Ele atuaria na organização de bens e na intermediação das operações.

A PF avalia que a estrutura se assemelha a um sistema integrado de gestão de recursos. Ela atuaria em várias frentes ao mesmo tempo: imóveis, empresas, aeronaves e operadores financeiros. Isso configuraria um verdadeiro centro de operações à disposição dos investigados.

### A casa de seis milhões no Lago Sul

Um dos achados mais emblemáticos da investigação é a compra de um imóvel de alto padrão em Brasília. As conversas interceptadas pela PF mencionam o senador Weverton Rocha em tratativas para adquirir uma casa no Lago Sul. Os valores citados eram quatro milhões de entrada e mais dois milhões para quitar.

Contudo, a transação formal seguiu outro caminho. Em abril de 2023, a propriedade foi comprada por uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz. O valor total da transação foi exatamente os seis milhões de reais mencionados nas escutas.

Para a polícia, o uso de uma pessoa jurídica nessa aquisição é um forte indício. A prática pode sinalizar uma tentativa de dissimular a real titularidade do bem. A divergência entre quem negociou e quem é o dono oficial reforça a suspeita de ocultação de patrimônio.

### Os repasses milionários para a esposa

Outro eixo crucial da apuração envolve a esposa do senador, Samya Rocha. Empresas associadas ao advogado Willer Tomaz teriam transferido mais de onze milhões de reais para contas vinculadas a ela. O volume e a recorrência dessas transações chamaram a atenção dos investigadores.

Em uma análise preliminar, esses valores não encontrariam um lastro contratual claro. Não há, até agora, documentos que justifiquem formalmente a movimentação financeira de tal magnitude. A origem e a finalidade exata desses recursos são o centro das dúvidas.

Mensagens atribuídas a uma operadora financeira do grupo alimentam as suspeitas. Nelas, ela informa ao senador que depósitos já teriam sido feitos na conta pessoal de sua esposa. O conjunto de fatos levanta questionamentos sobre a natureza desses repasses.

### Uma rede integrada de pessoas e empresas

A investigação não olha para fatos isolados, mas para uma suposta estrutura organizada. A PF descreve uma rede com divisão clara de funções entre os envolvidos. O objetivo seria movimentar recursos, administrar patrimônio e realizar pagamentos a terceiros.

Nesse modelo, cada um teria um papel definido. O senador apareceria como aquele que indica demandas e acompanha repasses. O advogado Willer Tomaz atuaria como o estruturador financeiro e patrimonial. Já a operadora Fayla Zulmira ficaria com o controle de saldos e pagamentos.

Familiares do parlamentar também são citados na estrutura. Eles administrariam empresas, imóveis e contas bancárias usadas nas movimentações. A rede ainda utilizaria postos de combustível e holdings para transferências e aquisições de bens de alto valor.

### A autorização mesmo com parecer contrário

Esta fase da operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça do STF, mas não sem debate. A Procuradoria-Geral da República emitiu um parecer contrário às buscas e apreensões. Para a PGR, medidas menos invasivas, como quebras de sigilo, seriam suficientes no momento.

O ministro, no entanto, entendeu que havia um risco concreto de destruição de provas. Documentos digitais e registros financeiros poderiam ser rapidamente apagados ou alterados. Essa avaliação de urgência foi decisiva para a autorização das diligências simultâneas.

Com o sigilo quebrado e as buscas realizadas, a Polícia Federal agora analisa o material apreendido. O objetivo é esclarecer a origem dos milhões em circulação, a existência de contratos formais e o papel exato de cada investigado. O caso segue sob análise no Supremo Tribunal Federal.

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