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ONU projeta nova alta nos preços dos alimentos até o fim de 2026

Nos próximos meses, o preço dos alimentos no mundo todo pode dar um novo salto. Essa pressão vem de uma mistura preocupante: tensões geopolíticas e mudanças no clima. Uma autoridade da FAO alertou que a alta nas commodities agrícolas deve chegar ao nosso prato ainda em 2024.

O impacto mais forte nos supermercados, contudo, é esperado para 2025 e 2026. O tempo entre a colheita e a gôndola explica esse atraso. Os custos da produção demoram alguns meses para se refletir no varejo.

Até agora, os preços dos alimentos se mantiveram relativamente estáveis. Isso ajudou a equilibrar a inflação em vários países. A calmaria, no entanto, parece ser apenas temporária.

Por que a tranquilidade nos preços deve acabar

Vários fatores estão pressionando os custos de produção no campo. O petróleo mais caro eleva despesas com combustível e transporte. A oferta reduzida de fertilizantes também preocupa os agricultores.

Eventos climáticos extremos completam esse cenário complexo. Secas ou chuvas em excesso prejudicam diretamente as lavouras. Esses custos extras inevitavelmente serão repassados ao consumidor final.

Os preços atuais ainda refletem as boas safras do passado recente. Eles não incorporam totalmente as dificuldades do próximo ciclo. A conta, portanto, está apenas começando a chegar.

O papel crucial do Estreito de Ormuz

Um ponto geográfico se tornou central nessa crise: o Estreito de Ormuz. Por essa rota passa uma fatia enorme do petróleo e gás natural do mundo. Qualquer tensão na região afeta a agricultura global.

O petróleo é vital para bombear água, fazer embalagens e transportar alimentos. O gás natural, por sua vez, é matéria-prima essencial para a fabricação de fertilizantes. Sem eles, a produção encolhe.

Conflitos em outras regiões, como os ataques à infraestrutura energética russa, agravam o problema. Eles reduzem a exportação de diesel e gás, pressionando ainda mais os preços internacionais desses insumos.

Os primeiros efeitos no campo

Os agricultores já estão sentindo o aperto e reagindo. Nos primeiros meses do conflito no Golfo, o plantio de trigo e milho recuou. Muitos produtores buscam culturas que demandem menos insumos caros.

Nos Estados Unidos, parte dos agricultores migrou para a soja, que exige menos fertilizante. Projeções indicam que, sem apoio, as principais culturas podem operar no prejuízo nos próximos anos.

Na Austrália, um grande exportador, o governo prevê queda de 21% nas culturas de inverno. O motivo é a forte alta nos preços de combustíveis e a incerteza sobre a disponibilidade de fertilizantes.

A intensificação com o El Niño

O fenômeno climático El Niño deve agravar significativamente a situação. Este ano, ele está particularmente intenso. Ele altera padrões de chuva e reduz a produtividade agrícola em várias regiões.

Na Índia, a temporada de monções começou com atraso. As previsões apontam para chuvas abaixo da média. Isso pode prejudicar a produção de arroz, um alimento básico para bilhões de pessoas.

A combinação de produção menor e custos mais altos é explosiva. Ela pode elevar os preços das commodities e levar milhões à insegurança alimentar. O clima se torna mais um capítulo crucial nessa história.

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