Uma criança com autismo foi agredida pela própria mãe em Pacajus, na região metropolitana de Fortaleza. A mulher filmou um vídeo mostrando os hematomas no rosto e nos braços do menino. Ela mesma confessou ter batido no filho, justificando a violência com a “falta de paciência”.
No registro, ela não mostra o momento da agressão, mas exibe as marcas no corpo da criança. A mãe relata que o filho se recusava a ficar na escola e chorava insistente. Essa situação, comum para muitas famílias com crianças no espectro, parece ter sido o estopim para a explosão de violência.
Ela diz no vídeo: “O menino não foi para a escola porque não queria ficar. Agora foi de novo, olha. Levou uns tapas, olha como ficou o braço”. A fala revela um ciclo de frustração e descontrole, onde a dificuldade de comunicação da criança encontrou a exaustão emocional da cuidadora.
O desabafo violento e a negação do diagnóstico
Em outro momento, a mulher profere palavras duras contra a condição do filho. Ela desabafa: “Ah, porque ele é autista. Vá se f**** o autismo! Mas ele vai apanhar”. Essa fala vai além da raiva momentânea e mergulha na negação do diagnóstico, um obstáculo enorme para buscar o apoio adequado.
Ela continua: “Para mim, isso não é autismo não, isso é criança que é perturbada do juízo”. Negar a condição é um mecanismo de defesa doloroso, mas também impede o acesso a terapias e suporte essenciais. Sem aceitação, fica muito mais difícil manejar os comportamentos desafiadores.
A mãe ainda afirma que “já é a segunda vez que esse menino apanha só essa semana”. Ela detalha: “Apanha de levar assim, murro no meio dos olhos. Porque eu não tenho paciência, não tenho um pingo”. Esse relato expõe a gravidade e a repetição da violência, mostrando uma crise familiar que precisa de intervenção urgente.
As marcas visíveis e o grito de socorro disfarçado
O vídeo serve como uma prova brutal da agressão. A mulher pede para a criança mostrar as feridas: “Ó os braços, ó. Ó a cara, mostra aí a cara toda marcada”. Essas imagens chocantes tornam a situação incontestável. No entanto, o próprio ato de gravar e divulgar pode ser um pedido de ajuda distorcido.
A mãe ameaça: “Daqui a uns dias eu interno, porque isso é coisa de criança que é doida”. A ideia de internação surge como uma solução desesperada e punitiva, não como um encaminhamento terapêutico. Ela se sente sobrecarregada e sem recursos, física e emocionalmente esgotada.
Casos como esse destacam a solidão de muitas famílias. Cuidar de uma criança com necessidades específicas exige rede de apoio, orientação e, muitas vezes, suporte psicológico para os pais. A violência nunca é resposta, mas sua ocorrência sinaliza que a família está afogada e sem amparo. Informações inacreditáveis como estas mostram a face mais crua do abandono social.
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