Depois de mais de dois meses fora do ar, o perfil do jornalista e influenciador Guilherme Pallesi, o Guipa, voltou ao Instagram. A conta, que reúne mais de 1,2 milhão de seguidores, foi reativada na última segunda-feira. Para ele, esse longo período de bloqueio foi causado por uma investida coordenada de haters.
Guipa suspeita que grupos organizados, possivelmente com ajuda de robôs, bombardearam seu perfil com denúncias. Esse método, conhecido como report bombing, explora os sistemas automáticos das redes. Muitas reclamações em pouco tempo fazem a plataforma entender que há uma violação grave, suspendendo a conta de forma imediata.
O problema, segundo ele, é a falta de clareza. A Meta, dona do Instagram, não apontou qual conteúdo específico quebrou as regras. A justificativa recebida foi genérica, citando apenas as diretrizes da comunidade. Sem um vídeo ou postagem exata para contestar, fica quase impossível reverter a situação pelos canais comuns de suporte.
A batalha nos bastidores da justiça
Sem conseguir diálogo direto com a plataforma, Guipa decidiu ir à Justiça. Com um advogado especializado em direito digital, ele conseguiu uma liminar determinando a reativação do perfil. A ordem judicial deu um prazo de cinco dias úteis para a Meta devolver o acesso, mas isso não aconteceu.
Diante do descumprimento, a defesa do influenciador retornou ao tribunal. O juiz então estipulou uma multa diária de mil reais para a empresa, enquanto a conta permanecesse bloqueada. Mesmo com a penalidade acumulando, o perfil só voltou ao ar no nono dia após a decisão inicial.
Guipa acredita que a reativação final veio de uma articulação paralela. Contatos com pessoas próximas à empresa, incluindo um deputado federal, teriam ajudado a destravar a situação. Até hoje, não há confirmação oficial de que a Meta agiu por causa da liminar ou sequer teve conhecimento dela.
Os prejuízos vão muito além do acesso
Apesar da vitória, o período offline deixou marcas. Guipa calcula um prejuízo financeiro direto de cerca de trinta mil reais. Ele cita a perda de um contrato de mais de quinze mil para cobrir a Copa do Mundo, além de outras campanhas publicitárias e trabalhos menores que deixou de fechar.
Além do impacto no bolso, houve um custo emocional e profissional. Dois meses e meio sem o principal canal de comunicação afetaram seu relacionamento com o público e a visibilidade do seu trabalho. Manter a relevância em outras plataformas, enquanto a principal estava bloqueada, foi um desafio constante.
Por isso, mesmo com o perfil de volta, o processo judicial segue em frente. O influenciador quer ser indenizado pelos danos que alega ter sofrido. Outra grande preocupação é a incerteza: ele não recebeu qualquer garantia de que o mesmo problema não vai se repetir no futuro, deixando uma sombra sobre seu trabalho digital.
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