Você sempre atualizado

França aposta em Zidane, mas escolhas por ídolos nem sempre funcionaram

A notícia rodou o mundo e agitou os torcedores franceses. Zinédine Zidane, uma lenda absoluta do futebol, é o novo comandante da seleção da França. A ideia da federação parece clara. Eles querem repetir a fórmula que deu certo com Didier Deschamps, outro ídolo que virou técnico campeão.

A aposta em um grande nome do passado é um movimento comum no futebol. A lógica é simples. Um ex-jogador renomado chega com autoridade imediata no vestiário. Ele conhece a pressão de vestir a camisa da seleção. Essa transição, no entanto, nem sempre é um caminho tranquilo ou vitorioso.

O caso mais recente e famoso é o próprio Deschamps. Ele comandou a França por incríveis catorze anos e conquistou a Copa do Mundo de 2022. Zidane, seu sucessor, tem um currículo impressionante no Real Madrid, com três Champions League. Agora, ele enfrenta um desafio totalmente novo e cheio de expectativas.

A armadilha do status de ídolo

A história mostra que só a aura de grande jogador não basta. O Brasil teve suas experiências ambíguas. Paulo Roberto Falcão, um gênio da bola, assumiu a seleção em 1990. Seu período foi curto e conturbado, terminando após um vice-campeonato na Copa América de 1991.

Outro exemplo é Dunga. Em sua primeira passagem, ele venceu a Copa América e a Copa das Confederações. Tudo desmoronou com a eliminação nas quartas de final da Copa de 2010 para a Holanda. Sua volta ao cargo, entre 2014 e 2016, não foi bem sucedida e terminou de forma precoce.

Fora do Brasil, os exemplos também são claros. Diego Maradona comandou a Argentina na Copa de 2010. A campanha terminou com uma goleada de 4 a 0 para a Alemanha nas quartas. Na Itália, Gennaro Gattuso não conseguiu sequer classificar a equipe para o Mundial.

Quando a transição dá certo

Alguns casos, porém, entraram para a história do esporte. O maior símbolo é Zagallo. Campeão mundial como jogador em 1958 e 1962, ele levou a seleção brasileira ao título da Copa de 1970 como técnico. Ele se tornou uma lenda única, vencedor tanto em campo quanto no banco.

O alemão Franz Beckenbauer é outra figura que completou o ciclo. Capitão campeão em 1974, ele assumiu o comando da seleção anos depois. Sua conquista veio em 1990, quando ergueu a taça como treinador. Ele e Zagallo são os únicos a realizar esse feito tão raro.

O caminho bem-sucedido mais recente é justamente o de Didier Deschamps. Capitão da França na conquista de 1998, ele assumiu o time em 2012. Quatorze anos depois, ele repetiu o feito, agora como técnico, no Mundial do Catar. Essa biografia vitoriosa é o modelo que Zidane almeja seguir.

Os enormes desafios de Zidane

Zidane não pega uma seleção em momento tranquilo. Deschamps, ao sair, reclamou de um ambiente "irrespirável". A goleada por 6 a 4 para a Inglaterra, na disputa do terceiro lugar da última Copa, escancarou problemas. Desentendimentos internos vieram à tona.

Após aquela derrota, o experiente meio-campista Adrien Rabiot fez críticas duras. Ele mencionou "comportamentos inaceitáveis" de alguns companheiros dentro de campo. A imprensa francesa apontou o jovem Rayan Cherki como um dos focos das críticas.

A sombra de Kylian Mbappé também paira sobre o novo técnico. O astro capitão já foi até chamado de "ditador" por supostas influências dentro do grupo. Deschamps sempre o protegeu. Zidane precisará gerenciar essa forte personalidade para manter a harmonia do elenco.

O trabalho prático começa em breve. A estreia de Zidane será na Liga das Nações, no final de setembro. A França enfrenta Turquia, Bélgica duas vezes e Itália. Ele herdará um time ainda jovem e talentoso, com Mbappé, Dembélé e Olise prontos para o próximo ciclo.

A missão é clara: restaurar a ordem e o orgulho. Zidane tem a credencial de ídolo e a habilidade tática comprovada. O mundo do futebol aguarda para ver se essa combinação poderosa será suficiente. A pressão é enorme, mas ele não é um desconhecido nesse tipo de situação.

Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.