Você sempre atualizado

Figo detona Infantino e pede saída imediata: “Tem que sair. Já”

A bola da vez no mundo do futebol não rola em campo, mas nos corredores do poder. Um debate acalorado sobre o futuro da FIFA ganhou as páginas de um grande jornal, com um protagonista de peso. Luís Figo, ídolo português e ex-candidato à presidência da entidade, fez um apelo direto e contundente. Ele defende que Gianni Infantino, o atual mandatário, deve deixar o cargo.

As razões para esse pedido de demissão vêm de um projeto que gerou muita polêmica. A FIFA queria criar uma subsidiária para administrar seus negócios comerciais, como os direitos de TV e os patrocínios. A ideia era abrir parte dessa nova empresa para investidores privados. O plano prometia injetar bilhões de dólares no futebol mundial. No entanto, ele foi rejeitado antes de sair do papel.

Figo questiona a forma como tudo foi conduzido. Ele acusa Infantino de falta de transparência com as federações que compõem a FIFA. O ex-jogador levanta uma questão crucial. Se a proposta era tão boa para o esporte, por que não foi apresentada abertamente a todos os membros? Essa falta de diálogo gerou desconfiança e acabou sendo o calcanhar de Aquiles da iniciativa.

### Por que o projeto da FIFA causou tanta controvérsia?

A proposta, chamada FIFA Forward Enterprise, soou como uma revolução na forma de gerir o dinheiro do futebol. Em tese, a venda de uma fatia da empresa traria um caixa imediato para distribuir entre as associações. Muitas delas, especialmente as menores, sempre precisam de recursos. A promessa de um aporte bilionário era tentadora.

O problema estava nos detalhes e no controle. Críticos como Figo viram um risco enorme. Eles argumentavam que o futebol estaria abrindo mão de parte do seu patrimônio mais valioso. Uma vez nas mãos de investidores privados, o foco poderia migrar do desenvolvimento esportivo para o lucro financeiro a qualquer custo. A autonomia das futuras gerações para decidir o rumo do esporte ficaria comprometida.

Além disso, surgiu uma suspeita grave. Figo sugeriu no seu artigo que Infantino poderia ter um interesse pessoal no negócio. A ideia de que o presidente poderia assumir um cargo lucrativo na nova empresa após deixar a FIFA criou um mal-estar generalizado. Esse possível benefício não foi discutido abertamente, o que alimentou a crise de confiança.

### A reação das confederações foi imediata

A oposição ao plano não veio apenas de ex-jogadores. Grandes potências do futebol organizado se manifestaram contra. A UEFA, que reúne as federações europeias, e a Concacaf, das Américas do Norte e Central, lideraram a resistência. Elas alegaram falta total de consulta prévia e de garantias sobre quem de fato controlaria as competições.

A situação escalou para um nível de confronto institucional inédito. A UEFA chegou a ameaçar tomar medidas legais contra a FIFA. O apoio à possível reeleição de Infantino, prevista para 2027, começou a ser revisto. Dentro da própria sede da entidade, em Zurique, o clima também azedou. Executivos de alto escalão criticaram a condução do processo e alguns aliados do presidente deixaram seus cargos.

Diante da pressão avassaladora, Infantino recuou e abandonou o projeto. No entanto, o estrago já estava feito. O recuo não apagou as dúvidas sobre os motivos por trás da proposta. Para muitos, a simples tentativa de emplacar uma mudança tão radical revelou uma desconexão entre a presidência e os pilares do futebol mundial.

### O que está em jogo para o futuro do esporte?

Para Luís Figo, este é um dos momentos mais baixos que ele já viu em sua longa trajetória no futebol. O ex-capitão da seleção portuguesa acredita que a credibilidade da FIFA está em xeque. Recuperar a confiança, segundo ele, exige mais do que desistir de um projeto impopular. É necessário uma mudança de atitude na liderança.

A solução que ele enxerga é uma administração baseada em princípios claros. Transparência total nas decisões, responsabilidade com o patrimônio esportivo e participação real das 211 federações filiadas. Sem isso, o risco de novas crises que abalem a estrutura global do esporte permanece. O futebol precisa de uma governança que una, e não que divida.

O episódio serviu como um alerta. Grandes federações, como as da Inglaterra e do País de Gales, já retiraram seu apoio à candidatura futura de Infantino. A bola agora está com os demais membros da família do futebol. Eles terão a palavra final sobre qual caminho a entidade máxima do esporte deve seguir nos próximos anos.

Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.