Você sempre atualizado

EUA estuda liberar compra online de fuzil e medida pode facilitar acesso de PCC e CV

O governo americano pode abrir caminho para uma mudança radical na venda de armas. A administração de Donald Trump avalia permitir a compra de fuzis pela internet com entrega direta em casa. A proposta integra um pacote maior de 34 medidas apresentadas pelo órgão regulador de armas nos Estados Unidos.

Essas regras visam reverter políticas de controle estabelecidas durante o governo Biden. A justificativa da equipe de Trump é fortalecer o direito constitucional de possuir e portar armas. Trata-se de um debate antigo e polarizado na sociedade americana.

Uma alteração específica chama a atenção: o fim da obrigatoriedade de comparecer a uma loja física. Atualmente, a verificação de antecedentes criminais do comprador é feita presencialmente. Com a nova regra, todo o processo, incluindo essa checagem, seria realizado de forma digital.

O impacto potencial dessa flexibilização vai muito além das fronteiras dos Estados Unidos. O país é o maior produtor e exportador de armas de fogo do mundo. Seu mercado interno influencia diretamente o tráfico internacional.

No Brasil, os fuzis de origem americana têm presença marcante no crime organizado. Parte significativa do armamento usado por facções como PCC e Comando Vermelho vem dos Estados Unidos. Esses grupos foram recentemente classificados como organizações terroristas pelo governo Trump.

Os números ilustram essa conexão de forma clara. Entre 2019 e 2023, das 1.701 armas de alto poder apreendidas no Brasil com origem identificada, 738 eram dos Estados Unidos. Esse volume supera até mesmo as armas fabricadas no território nacional, que foram 586 no mesmo período.

A tendência de apreensões no Brasil só faz crescer. Os dados mostram um salto de 167% desde 2021, com um total de 2.152 fuzis apreendidos apenas em 2025. Esse aumento reflete a escalada do poder de fogo nas mãos do crime.

Especialistas em segurança apontam que facilitar a compra à distância nos EUA pode complicar o rastreamento. A venda online e a entrega domiciliar criam novos pontos cegos para as investigações. O controle sobre para onde vão essas armas se torna mais complexo.

O debate, portanto, conecta uma política doméstica americana a um problema de segurança global. A decisão final sobre essas regras será acompanhada de perto por autoridades de diversos países. O resultado pode afetar diretamente a dinâmica do tráfico de armas nas Américas.

Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.