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Efeito rebote do endividamento recorde pode levar à ressaca da economia em 2027

Você já parou para pensar como anda o seu orçamento familiar? Muitas famílias brasileiras estão sentindo o peso das contas no fim do mês. O nível de endividamento atingiu um patamar recorde, e isso pode ter consequências sérias para a economia nos próximos anos. Economistas alertam que o consumo pode perder força de forma significativa, especialmente a partir de 2027. O cenário preocupa porque muita gente está usando créditos com juros altíssimos para fechar as contas.

Quando as famílias se endividam em excesso, é natural que o consumo futuro sofra uma queda. Um estudo do Banco Central já havia mostrado essa relação antes da recessão de 2014 a 2016. O problema é que hoje muitas dívidas são feitas em modalidades caras, como cartão de crédito parcelado e cheque especial. Essas linhas de crédito representam quase um quarto do total das dívidas das pessoas físicas. Boa parte desse valor é assumida por brasileiros de renda mais baixa, que são os mais vulneráveis.

Os números mostram uma realidade difícil. Quase 40% das contratações do rotativo do cartão de crédito, em outubro do ano passado, foram feitas por quem ganha até dois salários mínimos. O endividamento em relação à renda está próximo de 50%. A dívida média inadimplida no Serasa chegou a R$ 6.300, um valor alto se comparado ao rendimento médio do brasileiro. A situação financeira de muitas casais hoje é considerada pior do que a que precedeu a última grande crise econômica.

Um futuro de consumo mais tímido

Diante desse cenário, as projeções para a economia começam a ser revistas para baixo. Um relatório do BTG Pactual estima que o crescimento do consumo, que pode ser de 2% em 2026, pode cair para apenas 0,8% em 2027. Se a renda das famílias parar de crescer, a projeção é de uma queda de 0,4% no consumo. Juros elevados por um período prolongado podem transformar a dívida em uma restrição real ao poder de compra. O mercado financeiro já começou a assimilar essa perspectiva de atividade mais fraca.

As projeções para o crescimento do PIB no próximo ano vêm sendo revisadas para baixo sucessivamente. A dúvida que fica no ar não é se haverá uma desaceleração, mas qual será a sua intensidade. Se os bancos apertarem os critérios para conceder crédito, o ciclo pode se tornar mais pronunciado. As famílias estão extremamente endividadas justamente em um momento considerado bom para a renda familiar. A grande pergunta é: o que acontecerá quando esse momento passar?

Especialistas destacam a necessidade de cautela nos próximos trimestres. É importante monitorar como o governo reagirá se a economia perder fôlego. Medidas para estimular o crédito e a renda já somam centenas de bilhões de reais. O novo consignado privado, por exemplo, injetou bilhões no mercado. No entanto, alguns economistas veem nisso um risco, pois pode estar apenas adiando um ajuste necessário.

As lições do passado e os riscos à frente

A história econômica do Brasil é marcada por volatilidade. De 1980 a 2019, tivemos 26 anos de crescimento considerados bons, mas também enfrentamos 14 anos de crise. Nossas crises costumam ser mais severas do que as de outros países. Por isso, a combinação de alto endividamento familiar e baixa poupança é vista com preocupação. Para alguns analistas, a chance de uma recessão nos próximos anos não está descartada.

O governo, por sua vez, rejeita comparações com a crise da década passada. A secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire, argumenta que os cenários são completamente diferentes. Enquanto antes os juros e a inflação subiam, hoje a taxa básica de juros está em trajetória de queda. Ela também cita o novo arcabouço fiscal como um fator de estabilidade, cujos limites estariam sendo cumpridos.

A principal estratégia do governo para o problema tem sido o programa Desenrola. O foco é permitir que as pessoas troquem dívidas caras por outras mais baratas, melhorando a qualidade do endividamento. No entanto, há um debate sobre os efeitos colaterais dessa política. Alguns economistas argumentam que, ao limpar o nome do cidadão, o programa pode simplesmente incentivá-lo a se endividar novamente. É um alívio imediato, mas que pode não ser sustentável no longo prazo sem uma mudança de hábitos.

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