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Cuba restaura eletricidade após apagão nacional, mas cortes persistem

A noite de domingo em Cuba foi mais uma de escuridão total. Um novo apagão nacional deixou toda a ilha sem energia, repetindo um cenário que já se tornou tristemente comum. Para milhões de cubanos, acender uma lâmpada ou conservar alimentos na geladeira virou um desafio diário.

Esse já é o sexto colapso completo do sistema em 2025, um reflexo claro da crise energética profunda que o país enfrenta. As falhas são tão constantes que os moradores perdem a conta das horas sem luz. Em muitas regiões, a interrupção dura dias, paralisando a rotina e testando a resistência da população.

A empresa estatal de eletricidade atribuiu o blecaute de domingo a uma oscilação técnica que derrubou uma termelétrica. O efeito dominó fez o sistema inteiro cair. Apesar dos esforços para reestabelecer a rede nesta segunda-feira, os cortes seletivos e prolongados continuam em boa parte do território.

A rotina no escuro

Na capital Havana, a situação é especialmente crítica. Até o início da tarde desta segunda, menos de um terço da cidade tinha energia restabelecida. Nos bairros, é comum ver famílias passando noites inteiras em varandas, buscando um pouco de ar fresco para suportar o calor tropical sem ventiladores.

“Desde sexta-feira só tive uma hora e meia de eletricidade”, relata uma contadora de 43 anos, que dorme com os filhos pequenos na varanda do apartamento. Sem luz, também falta água, pois as bombas que abastecem os prédios param de funcionar. A sensação de impotência cresce a cada novo blecaute.

Para um mecânico aposentado de 62 anos, a situação se tornou insustentável. A incerteza é o pior parte, pois ninguém sabe quando a energia voltará de fato. Ele lembra que nem todos têm condições de comprar painéis solares ou geradores a diesel, itens que se tornaram artigos de luxo.

As causas do colapso

O cerne do problema está na infraestrutura energética obsoleta. A base do sistema são sete velhas usinas termelétricas, com mais de quatro décadas de operação. Elas sofrem avarias frequentes e precisam de manutenção constante, algo complexo em meio a escassez de peças e recursos.

O embargo econômico dos Estados Unidos complica ainda mais o cenário. Restrições ao comércio dificultam a importação de combustível necessário para fazer as termelétricas funcionarem. Até o diesel para os geradores de emergência está em falta, estrangulando as últimas alternativas.

Nos últimos sete meses, apenas um cargueiro russo com petróleo bruto conseguiu atracar em Cuba, segundo autoridades locais. As sanções americanas também afastaram empresas estrangeiras, reduzindo a entrada de divisas que poderiam ser usadas para modernizar a rede.

Um impasse político

Enquanto isso, a população fica no meio de um impasse político. O governo cubano responsabiliza diretamente as medidas punitivas de Washington pela crise. Argumenta que o bloqueio petrolífero impede a compra de combustível e a reparação das plantas envelhecidas.

Do outro lado, o governo americano afirma que a culpa é da má gestão econômica de Havana. Para muitos analistas, é uma combinação perversa de fatores: infraestrutura decadente, falta de investimentos e um contexto geopolítico que limita soluções práticas.

O resultado concreto é que os cubanos seguem adaptando sua vida aos longos períodos sem energia. A crise já alterou hábitos, desde o horário de cozinhar até o modo de trabalhar. A esperança por uma solução duradoura parece cada vez mais distante, enquanto as luzes continuam a se apagar.

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