O Brasil viveu uma tarde amarga neste domingo. A seleção foi eliminada da Copa do Mundo nas oitavas de final, diante da Noruega. A derrota por 2 a 1 em Nova Jersey enterrou o sonho do hexa e deixou marcas profundas na trajetória recente da equipe.
O revés consolida um tabu que já dura 24 anos. Desde a final de 2002, o Brasil não vence uma seleção europeia em fases eliminatórias de Copa. O cenário é ainda mais duro quando olhamos para o adversário direto.
A Noruega se mantém como o único país que o Brasil nunca conseguiu derrotar. Em cinco confrontos, são três derrotas e dois empates. A força do futebol escandinavo mostrou-se, mais uma vez, um obstáculo intransponível para o futebol brasileiro.
O peso de uma data simbólica
A eliminação aconteceu no dia 5 de julho, data que já carregava um trauma histórico. Foi em um 5 de julho, em 1982, que o Brasil de Sócrates e Zico perdeu para a Itália na Espanha. Agora, a mesma data ganha um novo capítulo de frustração.
Esta foi a sexta eliminação consecutiva do Brasil em uma fase mata-mata de Copa. O desempenho iguala a pior campanha desde 1990, quando a seleção também parou nas oitavas. O caminho até o próximo título parece cada vez mais longo.
A partir de agora, o Brasil entrará no seu maior jejum mundial desde o primeiro título, em 1958. Serão 28 anos sem levantar a taça, com a próxima chance só em 2030. Um período que exigirá profunda reflexão sobre os rumos do futebol nacional.
Falta de efetividade no ataque
O técnico Carlo Ancelotti optou por iniciar com Gabriel Martinelli no lugar do lesionado Lucas Paquetá. A Noruega, por sua vez, trouxe de volta o lateral Julian Ryerson, recuperado de uma lesão. O jogo começou com susto para os brasileiros.
Aos dois minutos, a Noruega fez o gol, mas o lance foi anulado por impedimento claro. O Brasil respondeu aos nove minutos, com um pênalti a favor após derrubada de Matheus Cunha. Bruno Guimarães cobrou, mas a finalização foi defendida pelo goleiro.
A seleção criou as melhores oportunidades no primeiro tempo. Matheus Cunha, Vinícius Júnior e Gabriel Martinelli desperdiçaram chances claras. Os noruegueses se mantinham organizados e buscavam explorar jogadas aéreas, principal característica do time.
Haaland decide o jogo
A segunda etapa seguiu o mesmo roteiro: domínio brasileiro sem concretização. Ancelotti promoveu mudanças, colocando Endrick e, mais tarde, Neymar em campo. O jovem atacante perdeu um confronto direto com o goleiro logo após entrar.
As chances claras continuaram surgindo e sendo desperdiçadas. Rayan e Bruno Guimarães foram detidos por ótimas defesas do goleiro Nyland. A incapacidade de fazer o gol pesou demais no desfecho da partida.
Aos 34 minutos, o craque norueguês Erling Haaland apareceu para decidir. Ele aproveitou um cruzada da direita para vencer no alto e abrir o placar. Dez minutos depois, o atacante fez o segundo, em chute rasteiro no contra-ataque.
Um consolo amargo no fim
Nos acréscimos, o Brasil ainda teve um pênalti a seu favor. Neymar converteu a cobrança e marcou o gol de honra. O que poderia ser um momento de celebração soou como um adeus melancólico à competição.
A Noruega segue agora para as quartas de final. Ela aguarda o vencedor do duelo entre México e Inglaterra. O confronto das quartas será no próximo sábado, em Miami.
Para o Brasil, resta o trabalho de reconstrução. A eliminação precoce deixa lições claras sobre a necessidade de maior efetividade e solidez emocional. O caminho até 2030 será longo e exigirá mudanças profundas.
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