A decisão pegou muita gente de surpresa. Afinal, o senador aparecia como forte favorito nas pesquisas para o governo de Minas Gerais, com uma vantagem confortável. A desistência, anunciada em um vídeo emocionado, abre um novo capítulo na política do estado e altera os cálculos para as eleições deste ano.
Cleitinho justificou a escolha citando um luto familiar recente. Seu irmão mais novo faleceu há menos de um mês, após lutar contra uma doença. O político disse precisar priorizar o apoio à sua família neste momento. A revelação foi feita ao lado do presidente nacional de seu partido, o Republicanos.
Curiosamente, durante sua pré-campanha, ele havia divulgado um vídeo criado por inteligência artificial. Nele, apareciam seu irmão e seu pai, já falecidos, incentivando sua candidatura. No fim, o senador optou por não seguir o conselho dessas imagens digitais.
O peso eleitoral de Minas Gerais
Minas não é um estado qualquer na geografia política brasileira. Ele possui o segundo maior colégio eleitoral do país, com mais de 16 milhões de pessoas aptas a votar. Historicamente, o caminho para a Presidência da República costuma passar por lá.
Desde 1989, todos os vencedores das eleições presidenciais também venceram em Minas Gerais. Essa tende se manteve com nomes como Collor, FHC, Lula, Dilma, Bolsonaro e novamente Lula. O estado funciona como um termômetro confiável do humor nacional.
Neste ano, as pesquisas mostram uma disputa acirrada no estado entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro. A ausência de Cleitinho no pleito ao governo deve influenciar esse cenário maior, mobilizando diferentes bases eleitorais.
Os bastidores da desistência
A saída de cena do senador não foi um movimento isolado. Analistas políticos veem a mão de figuras experientes nos bastidores. Tudo indica um acordo costurado entre o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o ex-secretário de governo Marcelo Aro.
Cunha, que será candidato a deputado federal pelo Republicanos em Minas, e Aro, que agora busca o governo estadual, têm uma longa história de parceria. Aro, inclusive, é muitas vezes chamado de "o Eduardo Cunha mineiro" por seu estilo agressivo.
Aro conta com o apoio do partido de Cleitinho e da Igreja Universal. Sua candidatura ganha força direta com a desistência do senador. Cunha, por sua vez, segue dependendo de aval da Justiça Eleitoral para concorrer, devido suas condenações anteriores.
O perfil político de Cleitinho
Mesmo como senador, Cleitinho cultivava uma imagem de outsider, de alguém de fora do sistema. No entanto, seu desempenho no cargo parlamentar foi considerado discreto pelos observadores. Em quatro anos, ele não relatou emendas de impacto nem se destacou em investigações.
Ele parecia desdenhar da própria atividade legislativa, como se não reconhecesse sua importância. Mesmo liderando as pesquisas para governador, nunca chegou a apresentar um plano detalhado para Minas, com propostas econômicas ou sociais claras.
Em Brasília, sua figura era muitas vezes tratada com certo deboche pelos colegas. Sua despedida da corrida eleitoral, de certa forma, manteve esse tom. A política mineira agora se volta para os novos nomes que buscam preencher o vazio deixado por sua ausência.
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