Uma audiência nos Estados Unidos está definindo o destino do cantor d4vd, acusado de um crime brutal. O artista, cujo nome real é David Anthony Burke, responde por homicídio, abuso sexual de uma adolescente e mutilação de cadáver. Ele se declara inocente, e a justiça agora avalia se há provas suficientes para levar o caso a julgamento.
A vítima é Celeste Rivas Hernandez, uma garota de apenas 14 anos. O relacionamento entre ela e o músico, que começou quando Celeste tinha 11, era conhecido pela família dela. Os pais chegaram a autorizar uma viagem internacional da filha com o cantor, e parentes os viram juntos em eventos públicos.
A promotoria apresentou uma série de mensagens trocadas entre os dois, que mostram uma relação intensa e conturbada. As conversas revelam planejamentos de morarem juntos, discussões ciúmentas e até a decisão de interromper uma gravidez no início de 2024. A defesa, por sua vez, usa essas mesmas mensagens para mostrar a dinâmica complexa entre eles.
As ameaças e a noite do crime
Um dia antes do suposto assassinato, as mensagens mostram uma discussão acalorada. Celeste, irritada com a proximidade do cantor com uma amiga, disparou ameaças. Ela escreveu que contaria mentiras ao pai para acabar com a carreira e a vida de Burke. A defesa destacou que mais de 1.200 mensagens foram trocadas num período de 24 horas.
Na noite em questão, a acusação afirma que Burke pagou um Uber para buscar Celeste em casa e levá-la à sua residência em Hollywood. O detetive do caso confirmou que o músico continuou enviando mensagens ao celular da adolescente horas após a chegada do carro. Esse é um dos pontos cruciais da investigação.
A defesa explorou a falta de testemunhas oculares durante um intervalo específico de 21 minutos. Foi nesse curto espaço de tempo, segundo a promotoria, que Celeste foi morta a facadas dentro da casa do artista. Seu corpo, posteriormente desmembrado, foi encontrado em um carro abandonado registrado no nome de Burke.
A defesa e a visão do relacionamento
A estratégia da defesa é pintar um retrato de um relacionamento consentido e até apoiado pela família. A advogada de Burke afirmou que eles haviam terminado em novembro de 2024, mas mantinham contato. Ela citou que uma irmã adulta de Celeste sabia que eles estavam em Las Vegas ao mesmo tempo.
A defesa também mencionou eventos familiares compartilhados. Eles disseram que o casal foi à igreja com parentes de Celeste em várias ocasiões e que ela apareceu com familiares do cantor em um camarote VIP. A ideia é normalizar a convivência e questionar a narrativa de um crime premeditado.
Em mensagens de dezembro de 2024, Burke chega a culpar Celeste por um encontro sexual, numa discussão sobre consentimento. Já em março de 2025, um mês antes da morte, a adolescente disse querer ser apenas “amiga” e seguir em frente, cansada de uma relação que, em suas palavras, se resumia a sexo e tempo ocioso.
Planos, gravidez e o desfecho trágico
As conversas mostram planos ambiciosos e sombrios. Em 2024, Burke escreveu sobre reunir documentos dela para “fugir do país e se casar na Itália”. Ele também expressou o desejo de que os cartazes de “procura-se” sumissem para que pudessem viajar de avião juntos. A ideia de morarem juntos era constante, com Burke sugerindo até a contratação de um guarda-costas para buscá-la.
A gravidez e o aborto no início de 2024 são outros capítulos tristes dessa história. Em troca de mensagens, Celeste ponderou que nenhum dos dois poderia cuidar de um bebê. Burke a chamou de “forte”, disse amá-la e acompanhou o procedimento minuto a minuto, perguntando detalhes e como ela estava.
Dois dias após a conversa sobre se mudar com ajuda de um segurança, os pais de Celeste a deram como desaparecida. A sequência de eventos, das promessas de fuga ao corpo encontrado, forma o cerne do caso. O juiz agora precisa decidir se as evidências apresentadas sustentam a versão da acusação sobre o que aconteceu naquela casa em Hollywood.
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