Fernanda Bolsonaro, esposa do senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, ganhou destaque recente na campanha do marido. Sua participação mais ativa busca reduzir a resistência do eleitorado feminino. Esse movimento ganhou urgência após a crise pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
A estratégia ficou clara durante a convenção do partido, onde ela permaneceu ao lado do marido no palco. Flávio chegou a se referir a ela como sua "coluna vertebral". Apesar da imagem pública construída, um passado investigativo acompanha a trajetória do casal.
O Ministério Público do Rio de Janeiro já denunciou Fernanda junto com o marido pelo esquema das rachadinhas. As acusações envolvem o uso de sua conta bancária em transações suspeitas. No entanto, o caso foi arquivado após decisões judiciais que anularam as provas.
As acusações do Ministério Público
As investigações apontaram que Fernanda teve participação direta nas movimentações financeiras do esquema. Em 2011, o ex-assessor Fabrício Queiroz depositou R$ 25 mil em espécie na conta da dentista. Esse valor ajudou a quitar a entrada de um apartamento do casal em Laranjeiras.
No mesmo ano, um depósito de R$ 20 mil foi feito em sua conta. O MP afirma que o dinheiro saiu da conta do então chefe de gabinete de Flávio, Miguel Grillo. O saque e o depósito ocorreram em agências próximas de Ipanema, com intervalo de apenas trinta minutos.
Diante do rastreamento, os suspeitos teriam adotado uma nova tática. Eles passaram a fazer depósitos fracionados abaixo de cinco mil reais, valor que dispensava identificação. Essa prática visava dificultar o trabalho de investigação das autoridades.
Os detalhes das transações imobiliárias
A compra de um apartamento na Barra da Tijuca, em 2014, também seguiu um padrão similar. Antes do pagamento da primeira parcela de R$ 50 mil, a conta de Fernanda recebeu R$ 20 mil em depósitos fracionados. Foram cinco operações de valores diferentes, todas abaixo do limite de identificação.
O casal esteve envolvido em todas as transações imobiliárias desde seu casamento, em 2010. O MP-RJ alegou que o senador lavou R$ 638 mil do esquema através da compra e venda de apartamentos. Fernanda aparecia como coproprietária nesses negócios.
Além dos imóveis, a conta de Fernanda foi usada para movimentar valores ligados a uma loja de chocolates. Uma transferência de R$ 350 mil partiu dela para a aquisição do negócio, administrado por Flávio a partir de 2015. Ela também integralizou R$ 200 mil no capital social da empresa.
O desfecho judicial e a campanha
O caso das rachadinhas foi arquivado pela Justiça. A defesa de Flávio Bolsonaro comemorou a decisão, afirmando que as denúncias não procediam. Eles destacaram a falta de comprovação após a anulação das provas pelos tribunais superiores.
A assessoria da campanha criticou veementemente as reportagens sobre o tema. Em nota, classificou o conteúdo como distorcido para atingir a reputação de Fernanda e Flávio. A defesa ressaltou que ambos têm a ficha limpa e reputação ilibada.
Enquanto isso, Michelle Bolsonaro também foi citada nas investigações. A quebra de sigilo de Queiroz revelou depósitos de cheques na conta da ex-primeira-dama. O ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que se tratava do pagamento de um empréstimo. A campanha de Flávio não comentou as transações específicas envolvendo a conta de sua esposa.
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