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‘A senhora vem encher o saco aqui’, diz vereadora no PR a parlamentar cearense

Uma sessão na Câmara Municipal de Curitiba se transformou em palco de um episódio grave nesta quarta-feira. Durante um debate sobre pessoas em situação de rua, a tensão política ultrapassou os limites do embate de ideias. A discussão culminou em uma fala agora investigada como crime de xenofobia.

A vereadora Vanda de Assis, do PT, usava a tribuna para se posicionar contra um projeto de lei. O texto contava com o apoio da parlamentar Tathiana Guzella, do PL. Foi nesse momento que a troca de argumentos deu lugar a um ataque pessoal. A pergunta feita por Tathiana mudou completamente o tom do debate institucional.

Do seu assento, ela questionou publicamente a colega sobre sua cidade natal. A vereadora queria saber por que Vanda, natural de Campos Sales no Ceará, não retornava ao seu estado. A provocação foi finalizada com um termo de baixo calão. A reação foi imediata e contundente, transformando aquele plenário em cenário de uma acusação formal.

A acusação de xenofobia e a resposta imediata

Vanda de Assis não hesitou em classificar a fala como criminosa. Ela respondeu da tribuna, afirmando que xenofobia é crime e que não aceitaria tal prática. A parlamentar deixou claro que tomará as medidas legais cabíveis contra a colega. Seu discurso destacou o papel institucional de combater esse tipo de preconceito.

Ela se apresentou como a primeira vereadora nordestina eleita em Curitiba. Seu mandato, segundo ela, terá a missão de enfrentar a xenofobia onde ela aparecer. A declaração reforçou que o ataque não seria tratado como mera divergência política. O episódio ganhou contornos de um caso judicial em potencial, saindo dos limites da casa legislativa.

A indignação da petista foi amplificada pelo local do ocorrido. Ela destacou o fato de a ofensa ter partido de uma vereadora, dentro da Câmara Municipal. O ambiente é público e as sessões são transmitidas ao vivo para a população. A naturalidade do ataque, em um espaço tão visível, levantou um alerta sobre o preconceito fora das câmeras.

O perfil das envolvidas e a repercussão política

Tathiana Guzella está no primeiro mandato como vereadora e é pré-candidata a deputada estadual. Ela integra o que chama de “casal da lei” ao lado do marido, o deputado Tito Barichello. O perfil político do casal é alinhado à extrema direita e à agenda armamentista. A fala ocorreu enquanto ela aguardava para se manifestar sobre o projeto em debate.

Vanda de Assis também exerce seu primeiro mandato e busca uma vaga na Assembleia Legislativa. A troca de acusações reflete a polarização que marca a política local e nacional. O projeto que originou a discussão trata de políticas para a população em situação de rua. O autor da proposta é o vereador João Bettega, também do PT.

O caso repercutiu rapidamente entre os parlamentares. Aliados de Vanda protestaram contra a fala considerada xenófoba. O presidente estadual do PT, Arilson Chiorato, emitiu uma nota oficial de repúdio. O documento afirma que a provocação não representa o sentimento do povo paranaense. A política, mais uma vez, vê a ética e o respeito serem colocados em xeque no plenário.

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