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Tenho de manter essa coisa de Bolsonaro nos bastidores, disse Steve Bannon em mensagem no caso Epstein

Uma nova leva de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein trouxe à tona conversas que envolvem o Brasil. Os arquivos, divulgados recentemente, incluem diálogos do estrategista Steve Bannon. As mensagens revelam discussões sobre a eleição presidencial brasileira de 2018 e o papel de Jair Bolsonaro.

Os papéis mostram Bannon trocando mensagens com um interlocutor não identificado. A data é 12 de outubro daquele ano, logo após o primeiro turno. Em um trecho, a outra pessoa comenta não ter gostado de uma declaração de Bolsonaro. O então candidato chamou de fake news qualquer associação com o americano.

Bannon então dá sua visão sobre a situação. Ele afirma que precisava “manter essa coisa do Jair nos bastidores”. O poder dele, segundo a própria mensagem, vinha justamente de não ter ninguém defendendo a ligação publicamente. A estratégia era manter a influência, mas longe dos holofotes.

Dois dias antes, a mesma conversa já abordava o pleito brasileiro. O interlocutor elogiava Bolsonaro, chamando-o de um “divisor de águas”. Ele citava pontos como a rejeição a refugiados e a autonomia frente a organismos internacionais. A mensagem encerrava com um comentário sobre o tamanho da economia brasileira.

A resposta de Bannon foi reveladora. Ele disse ser “muito, muito próximo desses caras” e que era desejado como conselheiro. O estrategista então perguntou ao outro participante se deveria aceitar o papel. A relação com a família Bolsonaro não era novidade. Em agosto, ele já havia se encontrado com Eduardo Bolsonaro em Nova York.

O encontro foi descrito pelo então deputado como uma união de forças. O objetivo declarado era combater o que chamavam de “marxismo cultural”. Em novembro, após a eleição, Eduardo compareceu ao jantar de aniversário de Bannon. O diálogo nos arquivos segue com uma metáfora peculiar sobre a política sul-americana.

A pessoa desconhecida comparou a Europa a um jogo de bridge, cheio de regras. Já a América do Sul seria como jogar as cinquenta e duas cartas para o alto. Bannon concordou com a visão. Ele destacou o conceito de “massa crítica”. Controlar o Brasil e alguns países europeus seria uma grande vantagem estratégica.

Outro documento menciona uma possível visita de Bannon ao Brasil. A conversa envolve uma pessoa chamada “Miro Lajcak”. O nome coincide com o do chanceler da Eslováquia na época. O número de telefone do remetente corresponde ao listado como de Jeffrey Epstein em outros arquivos.

Nessa troca, em 9 de outubro, é dito que “Steve está pensando em ir ao Brasil para ver Bolsonaro”. Lajcak questiona o timing. Ele pergunta se não seria melhor a visita ocorrer após o segundo turno. A sugestão era de que seria mais seguro aguardar o desfecho da eleição.

No mesmo dia, Bannon recebeu um conselho direto. Se estivesse confiante na vitória de Bolsonaro, estaria no Brasil seria bom para sua “marca”. O estrategista respondeu que talvez fosse no sábado. Ele também questionou por que Miro achava mais seguro ir depois da votação.

A conversa então mudou de assunto abruptamente. Os documentos não detalham o desfecho ou se a viagem realmente aconteceu. As mensagens pintam um quadro de assessoria política em tempo real. Elas mostram figuras globais discutindo os rumos de um país soberano.

O caso Epstein continua a gerar novas revelações. A associação com nomes poderosos de vários países mantém o interesse público. Para o Brasil, os arquivos abrem uma janela para um momento crucial da política recente. Eles mostram como a eleição de 2018 foi acompanhada de perto por atores internacionais.

As implicações dessas conversas são amplas. Elas falam sobre influência, estratégia e as fronteiras da política. O conteúdo dos diálogos é claro, mas o contexto completo ainda pode ser mais complexo. A história segue sendo escrita a cada novo lote de documentos que vem à tona.

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