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PMs vão a júri por morte de jovem rendido em Paraisópolis, zona sul de São Paulo

Um jovem de 24 anos, pai de uma menina de três anos, foi morto dentro de uma casa em Paraisópolis. Ele trabalhava em obras com a família. A cena capturada pela câmera de um policial mostra ele com as mãos na cabeça, rendido. Mesmo assim, levou dois tiros. Quatro PMs agora vão a júri popular pela morte de Igor Oliveira de Moraes Santos.

A decisão judicial saiu nesta semana. A juíza entendeu que há indícios fortes de um crime. Ela descartou a legítima defesa. Para a magistrada, os agentes agiram por motivo torpe, como vingança ou justiçamento. O recurso usado dificultou a defesa da vítima. Dois cabos seguem presos. Dois soldados responderão ao processo em liberdade.

Os quatro policiais são da Rocam, a Ronda Ostensiva em motos. Eles pertencem ao 16º Batalhão Metropolitano. Esta unidade tem um histórico preocupante. Ela é a segunda mais letal de todo o estado de São Paulo. O caso expõe, mais uma vez, os métodos de certas operações policiais.

O que realmente aconteceu naquela noite

Três amigos de Igor estavam com ele na casa alugada. Eles contaram à Justiça que estavam em atividades comuns. Um ia buscar comida porque o gás acabou. Outro queria cortar o cabelo. O terceiro planejava encontrar um amigo. Ao ouvirem tiros na comunidade, entraram na casa mais próxima para se proteger.

Os depoimentos são unânimes. Igor estava com as mãos para cima quando os policiais chegaram. As imagens das câmeras comprovam esse fato crucial. Os jovens também relataram um detalhe sinistro. Os PMs entraram no quarto carregando uma mala preta. Ao colocá-la no chão, ouviu-se um barulho metálico dentro.

Após os disparos, a violência continuou. Os policiais levaram Igor, já baleado, para o banheiro. Lá, ele teria sido agredido com socos e chutes durante um interrogatório. Só depois, na delegacia, os três amigos souberam da acusação: tráfico de drogas. A versão deles é completamente diferente da apresentada inicialmente pelos agentes.

A versão dos policiais e as imagens que a desmentem

No boletim de ocorrência, a narrativa foi outra. Os PMs afirmaram que os suspeitos não obedeceram à ordem de rendição. Segundo eles, Igor se levantou portando uma arma na cintura. Ao fazer menção de atirar, o cabo Renato teria disparado em legítima defesa. Os outros jovens teriam se deitado e jogado as armas sob a cama.

As câmeras corporais, no entanto, contam uma história diferente. O vídeo mostra os policiais percorrendo os cômodos até o quarto. A porta se abre e os disparos começam imediatamente. Os quatro homens já estão rendidos. Um agente ordena “deite, deite”. Mais tiros são ouvidos. Ao sair, um PM repete em voz alta: “As COPs, as COPs”.

A própria Polícia Militar analisou as imagens e prendeu seus agentes em flagrante. Um tenente escreveu no auto de prisão que não havia qualquer ameaça à integridade dos policiais. Igor estava rendido e desarmado. A hipótese de legítima defesa foi totalmente descartada pelas evidências visuais.

As consequências e os desdobramentos do caso

No dia da morte, a PM divulgou um erro grave. Afirmou que a casa era uma “casa-bomba”, um entreposto do tráfico. A moradora, que estava no trabalho, soube pela imprensa. Ao chegar, encontrou seu quarto destruído por tiros e sangue. Ela relatou que os policiais foram arrogantes e que levaram o dinheiro do aluguel que ela guardava.

A revolta na comunidade foi imediata. Protestos com barricadas de fogo e confrontos tomaram conta da noite. Na confusão, outro jovem, Bruno Leite, de 29 anos, foi baleado e morreu. Moradores afirmam que a PM impediu o socorro enquanto ele estava ferido no chão. A tensão e a desconfiança nas instituições só aumentaram.

Os advogados de defesa dos policiais se manifestaram. Um deles afirmou que a pronúncia para o júri é comum em casos midiáticos. Ele acredita na absolvição futura. O outro disse que respeita a decisão e buscará provar a legalidade da ação nas próximas etapas. O caso agora segue seu curso perante a Justiça.

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