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Fifa se cala, e intervenção dos EUA na Venezuela não deve impactar a Copa

A situação na Venezuela ganhou os noticiários nos últimos dias, depois de uma ação militar ordenada pelos Estados Unidos. O evento trouxe à tona discussões sobre soberania e relações internacionais. No meio de tudo isso, uma pergunta pode surgir para o torcedor: isso afeta a Copa do Mundo deste ano?

A resposta, segundo especialistas em direito esportivo, é um não bem claro. O torneio acontece de junho a julho, com jogos nos Estados Unidos, México e Canadá. Por mais complexo que seja o cenário geopolítico, não há qualquer indício de que a Fifa vá punir a federação americana. O futebol internacional avalia que não existe uma ameaça concreta ao evento.

A entidade máxima do futebol só costuma agir quando os conflitos externos interferem diretamente na organização das competições. Eles podem afetar o funcionamento das federações nacionais ou até mesmo a viabilidade de realizar partidas oficiais. Nada disso aconteceu até o momento por causa dos recentes eventos na América do Sul. A máquina da Copa do Mundo continua girando a todo vapor.

Como a Fifa realmente age

O Estatuto da Fifa prevê a suspensão de um membro, mas os critérios são bem específicos. A decisão exige uma violação grave das obrigações, como interferência direta do Estado na federação nacional. Outros motivos são discriminação, descumprimento de deveres institucionais ou ameaça à integridade de uma competição. Guerras ou decisões de política externa dos países, por si só, não geram punição automática.

O texto da entidade reforça princípios como neutralidade política e respeito aos direitos humanos. No entanto, a Fifa não assume o papel de árbitra dos conflitos internacionais. Ela age quando o futebol deixa de funcionar normalmente. Um advogado especialista lembra que, se aplicasse as regras à risca, a entidade já poderia ter punido outras nações onde as federações não têm real independência do governo.

No caso americano, as razões para afastar uma punição são várias. A primeira e mais óbvia é a Copa do Mundo sediada no país. Além disso, existe uma relação próxima entre a liderança da Fifa e os Estados Unidos. A entidade transferiu parte importante de sua estrutura para Miami e mantém laços estreitos. O contexto atual é completamente diferente de outros episódios que geraram sanções no passado.

O exemplo da Rússia e outros casos

A suspensão da Rússia em 2022 é um exemplo muitas vezes citado, mas o contexto foi único. A decisão não veio apenas por causa da invasão da Ucrânia, um conflito que já existia anos antes. O fator determinante foi uma ameaça esportiva concreta e imediata. Seleções adversárias nas eliminatórias se recusaram a entrar em campo contra os russos, inviabilizando os jogos.

Com o calendário em risco, a Fifa suspendeu a Rússia em apenas dois dias. Foi uma medida para resolver um problema prático do futebol, não uma tomada de posição política pura. O esporte, naquele momento, parou de funcionar para aquele país. Esse é o tipo de gatilho que leva a entidade a intervir de forma mais dura e rápida.

O caso de Israel também ilustra bem essa postura. Apesar de protestos e declarações políticas de algumas federações, nunca houve uma ameaça direta de boicote a partidas já marcadas. Sem o risco de jogos não acontecerem, a Fifa manteve sua neutralidade. A seleção israelense até disputa as eliminatórias pela Europa por uma questão de viabilidade, para evitar boicotes dentro da confederação asiática.

Por que os EUA estão seguros

Para os Estados Unidos, o cenário está ainda mais distante de qualquer sanção. Não existe nenhuma ameaça de boicote à Copa do Mundo. Nem mesmo seleções com eventuais razões políticas para isso, como Irã ou Haiti, sinalizaram que deixariam de jogar. Nenhuma partida do torneio está em risco por conta da situação internacional.

Antes do sorteio dos grupos, circulou um rumor de que o Irã poderia ser colocado em um grupo que não jogasse nos EUA na primeira fase. No fim, as bolinhas sortearam os iranianos justamente para o Grupo G, com três jogos em solo americano. A notícia não gerou qualquer reação oficial que colocasse os compromissos em dúvida.

A organização do Mundial segue seu curso normal, sem sobressaltos. A Fifa foi questionada sobre possíveis reflexos esportivos da tensão com a Venezuela, mas não se pronunciou. Tudo indica que, sem boicotes ou interferências no jogo, a postura será de observar os desdobramentos sem intervenção. O futebol, pelo menos por enquanto, funciona separado da política.

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