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Ataques da Ucrânia levam apoio à guerra ao menor nível na Rússia

A recente ofensiva militar da Ucrânia está provocando efeitos reais dentro do território russo. Refinarias em chamas e ataques a navios tornaram-se cenas frequentes nos últimos meses. Esse cenário começa a alterar a percepção da população sobre o conflito que já dura anos.

Uma pesquisa realizada em julho mostra uma queda inédita no apoio às ações militares na Ucrânia. A aprovação, que já chegou a oitenta por cento, agora está em sessenta e seis por cento. O levantamento ouviu mais de mil e seiscentas pessoas em diversas cidades russas.

O momento atual representa o menor índice desde o início da invasão em condições metodológicas comparáveis. A pesquisa foi feita presencialmente, com uma margem de erro pequena. O resultado anterior mais baixo, logo após o começo da guerra, utilizou um método diferente por telefone.

A estratégia ucraniana de levar a guerra para o solo russo

A mudança começou a ganhar força a partir do mês de maio. O presidente Volodymyr Zelensky anunciou a intenção de atingir alvos dentro da Rússia. Para isso, o país passou a utilizar mísseis de longo alcance e drones capazes de percorrer mais de dois mil quilômetros.

Os ataques tornaram-se quase diários, indo muito além das fronteiras do campo de batalha. Alvos logísticos e econômicos, como depósitos da gigante do comércio online Wildberries, foram atingidos. Essa plataforma é amplamente usada pela classe média russa, equivalente a uma Amazon local.

O impacto dessas ações vai além dos números estratégicos e atinge o cotidiano das pessoas. Filas em postos de gasolina com cotas reduzidas se tornaram comuns, especialmente em Moscou. A escassez de combustível gerou uma corrida inflacionária no preço dos combustíveis no meio do ano.

O custo humano e as preocupações do cidadão comum

O conflito também tem um preço humano que vem aumentando. O número de vítimas civis registrou seu maior patamar desde o primeiro mês da guerra. Embora a maioria das mortes ocorra na Ucrânia, civis russos também foram afetados pelos ataques recentes.

Em mensagens, cidadãos expressam o descontentamento com a situação. Um engenheiro de Moscou relatou a dificuldade para encher o tanque do carro. Ele destacou que muitos dos que vão para a frente de batalha são de regiões pobres, atraídos pelos contratos de trabalho militar.

Quando questionados espontaneamente sobre os maiores problemas dos últimos meses, os russos foram claros. Os ataques em si foram a questão mais citada, seguida de perto pela crise do combustível. Problemas com entregas da Wildberries e a operação militar também apareceram com destaque.

A popularidade de Putin e a percepção sobre a guerra

A aprovação do presidente Vladimir Putin também sofreu um pequeno arranhão com a crise atual. Seu índice caiu alguns pontos, embora ainda permaneça em um patamar considerado alto para padrões ocidentais. O sistema de poder que ele comanda, no entanto, segue sólido e sem ameaças imediatas.

Outros dados da pesquisa trazem más notícias para o discurso oficial do Kremlin. Apenas metade da população acredita que a guerra está sendo um sucesso para a Rússia. Esse número caiu dezenove pontos em um ano, enquanto a visão de que é um fracasso aumentou consideravelmente.

A narrativa sobre os responsáveis pelo conflito, porém, ainda encontra eco. Um terço dos russos culpa a União Europeia pela guerra, enquanto apenas dez por cento citam a própria Rússia. A maioria da população defende o início de negociações de paz, mas rejeita fazer concessões territoriais à Ucrânia.

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