Você sempre atualizado

Patrimônio de Jorginho Mello, governador de SC, salta 155% em 12 anos com holding familiar

O patrimônio do governador Jorginho Mello teve um salto expressivo nos últimos doze anos. Os números oficiais mostram que seus bens cresceram mais de 150% nesse período. Esse aumento está diretamente ligado a uma empresa familiar que ele administra junto com os filhos.

A holding JSM Participações Societárias se tornou a principal parte de sua riqueza declarada. Em 2014, a participação na empresa valia apenas oito mil reais. Hoje, esse valor ultrapassa um milhão e seiscentos mil reais. A sociedade foi criada em 2010 e concentra a maior fatia do patrimônio.

Os filhos do governador, Filipe e Bruno Mello, são sócios e figuras influentes na política catarinense. Filipe, advogado, quase assumiu a secretaria da Casa Civil, mas a Justiça barrou a nomeação. Bruno, dentista, ocupa a vice-presidência estadual do partido do pai, o PL.

A influência da família no governo

Além da holding principal, os filhos mantêm outros negócios paralelos. Uma das empresas de Bruno, a Be Dental School, oferece cursos em parceria com a Univali. A universidade é uma das principais beneficiárias do programa Universidade Gratuita, que usa verbas públicas da educação.

Esse programa transfere recursos estaduais para instituições privadas de ensino superior. A conexão entre a empresa familiar e uma beneficiária de políticas públicas chama a atenção. A situação ilustra como interesses privados podem se cruzar com a gestão pública.

A trajetória patrimonial de Jorginho Mello vai além das participações societárias. Seu declaração inclui dois imóveis e um terreno, itens constantes em todas as suas prestações de contas. Os apartamentos ficam em Itapema, cidade com o metro quadrado mais caro do país.

Imóveis e a valorização do litoral

Os apartamentos foram declarados pelo valor de compra, trezentos e oitenta mil reais. O mercado imobiliário da região, porém, vive um boom de valorização. Isso significa que o valor real dos bens hoje é certamente muito superior ao declarado anos atrás.

O terreno, localizado no litoral sul, é outro ponto curioso da declaração. A área está numa região de disputa entre Araranguá e Balneário Arroio do Silva. Jorginho adquiriu o lote em 1986, mas as promessas de infraestrutura do loteamento nunca se concretizaram.

Quase quatro décadas depois, moradores formaram uma associação para buscar reparação na Justiça. No patrimônio do governador, o terreno consta com valor simbólico de pouco mais de oitocentos reais. Esse valor permanece inalterado desde a compra, assim como ocorre com os apartamentos.

Obras públicas e um terreno esquecido

O cenário local, porém, começou a mudar recentemente. Imobiliárias agora oferecem lotes na mesma área por cerca de setenta mil reais. A valorização coincide com anúncios de investimentos públicos no local.

Em março, o então prefeito Evandro Scaini anunciou obras de pavimentação no acesso ao loteamento. O convênio com o governo do estado tem valor de quatro milhões de reais. A imprensa local destacou o investimento em uma região pouco explorada do litoral.

A prefeitura não confirmou se tinha conhecimento de que o governador é proprietário de terreno na área. A coincidência entre obras públicas e a valorização de um bem particular levanta questionamentos. A situação permanece sem esclarecimentos públicos.

A disputa eleitoral e a declaração de bens

Na corrida eleitoral, Jorginho Mello não é o candidato com o maior patrimônio declarado. Seu vice na chapa, Adriano Silva, declarou bens que somam quase vinte e dois milhões de reais. Esse valor é quase oito vezes maior que o do governador.

Adriano listou casas, terrenos, diversas cotas em empresas e até uma embarcação. Seu patrimônio também cresceu mais de 33% em comparação com a declaração de 2024. A transparência dos dados permite esse comparativo direto entre os candidatos.

Até o momento, Jorginho é o único com a candidatura oficialmente registrada na plataforma do TSE. Outros oito nomes já anunciaram a disputa pelo governo do estado. A eleição deve colocar em foco não só projetos, mas também a origem e o crescimento do patrimônio dos concorrentes.

Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.