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Nota da PF expôs disputa sobre provas com André Mendonça

Uma tentativa do governo de acalmar os ânimos com o ministro André Mendonça foi interrompida nesta quarta-feira. A causa foi uma nota pública da Polícia Federal em defesa de sua autonomia. O gesto, porém, revela um impasse que vai muito além de uma simples discussão entre o relator do caso no STF e a corporação.

Nos bastidores, o cerne da divergência mudou. O foco agora está na forma como as provas de uma investigação foram usadas. O caso em questão é o inquérito do INSS, que investiga um suposto esquema de tráfico de influência.

A reunião entre Mendonça, Justiça e AGU já estava marcada antes da nota da PF sair. O objetivo era justamente dar o primeiro passo para reduzir a tensão institucional. A publicação do manifesto, porém, esvaziou esse esforço de trégua no momento em que o governo tentava encerrar a crise.

O uso das provas e os novos inquéritos

O ponto central do atrito é prático. A quebra de sigilo autorizada no inquérito do INSS gerou um conjunto de provas. Esse material, segundo apurado, serviu de base para a abertura de três novas investigações, distribuídas por sorteio.

A controvérsia está no timing. O relatório completo com todos os detalhes da quebra de sigilo ainda não tinha sido oficialmente anexado ao processo original. Enquanto isso, partes dessas informações já sustentavam novos procedimentos.

Para o entorno do ministro, isso fragmentou uma investigação que tratava do mesmo núcleo de fatos. A percepção é de que a PF usou trechos do material para justificar novas ações, enquanto o processo de origem seguia sem o documento integral.

A versão sobre a retirada de provas e bens

Outro ponto de tensão envolve uma alegação grave. Circulou a informação de que Mendonça teria tentado retirar provas ou bens apreendidos da custódia da Polícia Federal. Pessoas próximas ao ministro são categóricas em afirmar que isso é falso.

Segundo elas, nunca houve qualquer pedido para remover carros, celulares, computadores ou outros bens físicos para o STF. Esses itens continuam sob a gestão normal dos órgãos federais competentes, incluindo processos de alienação e leilão quando a lei permite.

Sobre o material sigiloso, a explicação é diferente. Houve um pedido por uma cópia de segurança dos dados, mantida sob sigilo. O motivo seria a demora no recebimento dos relatórios oficiais de andamento. Essa cópia ficaria lacrada, sem acesso pelo gabinete do ministro, apenas como salvaguarda documental.

O princípio da preservação e os pedidos da PF

A lógica por trás disso é de preservação. Qualquer acesso direto do relator ao conteúdo bruto das provas poderia contaminar a investigação. Também abriria espaço para questionamentos sobre a validade de todas as medidas adotadas no caso.

Por isso, consideram incompatível a ideia de que Mendonça buscaria analisar evidências diretamente. Seu papel, na visão de seus interlocutores, é de garantidor do processo, não de investigador.

As mesmas fontes fazem um último alerta. Todas as medidas autorizadas pelo ministro nos casos relacionados – INSS, Dark Horse e envolvendo Lulinha – partiram de pedidos formais da própria Polícia Federal. Nenhuma foi determinada por iniciativa própria do relator. Essa sequência, afirmam, contradiz a narrativa de interferência indevida nas apurações.

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