A cidade de São Paulo acordou com um caos no trânsito nesta terça-feira. Os congestionamentos ultrapassaram a marca de mil quilômetros durante a manhã. O motivo é uma greve nas linhas de trem que conectam o centro à zona leste, uma das regiões mais populosas.
O rodízio de veículos está suspenso, mas isso não foi suficiente para aliviar as ruas. Para você ter uma ideia, na primeira terça de junho o trânsito tinha metade desse tamanho. A zona sul e a zona leste são as áreas mais críticas, somando centenas de quilômetros de lentidão.
O problema começou ainda de madrugada com a paralisação dos ferroviários. As linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, que atendem milhares de pessoas, tiveram serviços interrompidos ou reduzidos. Muitos passageiros ficaram sem informação e enfrentaram superlotação logo cedo.
O impacto no dia a dia do trabalhador
Quem depende dessas linhas para chegar ao trabalho teve que buscar alternativas apressadas. A CPTM acionou um plano de apoio com ônibus extras, mas a frota disponível ficou muito aquém da necessidade real. As paradas viraram pontos de aglomeração e estresse.
As filas para embarcar nos coletivos eram longas e os veículos saíam completamente lotados. A situação foi especialmente crítica em terminais como o de Guaianases. Sem o trem, o tempo de deslocamento aumentou drasticamente para milhares de pessoas.
O Expresso Aeroporto também ficou parado, complicando a vida de quem precisava pegar um voo. As outras linhas de metrô e trem funcionaram normalmente, mas não conseguiram absorver toda a demanda extra gerada pela paralisação.
As medidas de contingência adotadas
O governo do estado e a CPTM implementaram um plano para tentar amenizar o transtorno. O metrô, por exemplo, antecipou o início de sua operação para as quatro horas da manhã. A linha 3-Vermehla, que corre paralela a algumas das afetadas, recebeu reforço.
A própria CPTM tentou operar parcialmente duas das linhas em greve, a 11-Coral e a 12-Safira. No entanto, a oferta de trens ficou bem abaixo do normal. A sensação para o passageiro foi de total insegurança sobre quando e como chegar ao destino.
O Tribunal Regional do Trabalho determinou que a greve mantenha 80% do efetivo nos horários de pico. A decisão judicial prevê uma multa pesada em caso de descumprimento. Mesmo assim, o serviço continuou severamente comprometido ao longo do dia.
Os motivos por trás da paralisação
A greve foi decidida em assembleia pelo sindicato da categoria. Os trabalhadores protestam contra o processo de concessão das linhas para a iniciativa privada. Eles apontam falhas na operação da nova concessionária, que assumiu o serviço antes prestado pela CPTM.
Os ferroviários temem pela estabilidade de seus empregos e pelas condições de trabalho. O governo estadual afirma que apresentou propostas concretas para negociar, incluindo a preservação dos postos. Houve promessa de analisar a absorção dos funcionários por outros órgãos públicos.
Apesar das garantias apresentadas, o sindicato manteve a paralisação por tempo indeterminado. O clima é de impasse, enquanto a população tenta se virar com um sistema de transporte fragilizado. A cidade segue aprendendo, da maneira mais difícil, como seu funcionamento depende desses trilhos.
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