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Ex-deputado Neno Razuk é preso na Bolívia depois de quase um mês foragido

O ex-deputado estadual Neno Razuk foi preso na Bolívia na noite de ontem. Ele era um dos mais procurados da lista da Interpol no Brasil. Horas depois da captura, as autoridades já o haviam trazido de volta para o território nacional.

A Polícia Federal confirmou sua transferência para a unidade da corporação em Corumbá, Mato Grosso do Sul. O mandado de prisão era antigo, mas só agora pôde ser cumprido. A situação revela como o processo judicial pode ter desdobramentos longos e imprevisíveis.

Razuk foi condenado a uma pena superior a quinze anos de cadeia. Os crimes incluem organização criminosa, roubo e exploração de jogos do bicho. A sentença, porém, só começou a ser executada após a perda de seu mandato parlamentar.

A queda do mandato e a fuga

O ex-parlamentar perdeu o cargo de deputado estadual apenas em maio deste ano. A mudança ocorreu após uma retotalização de votos das eleições de 2022 pelo TRE-MS. Esse recálculo alterou a composição da Assembleia Legislativa, tirando-o do cargo.

Enquanto era deputado, ele usava um foro privilegiado que impedia a prisão. Com o fim do mandato, o caminho para a execução da pena ficou livre. A Interpol emitiu então uma difusão vermelha a pedido da Polícia Federal.

Esse instrumento internacional é usado para localizar e prender pessoas procuradas. Foi essa rede que permitiu sua localização em território boliviano. A ação mostra a cooperação entre forças policiais de diferentes países.

A extensão das acusações

As acusações contra Razuk são graves e detalhadas. Segundo o Ministério Público, ele e familiares atuavam para controlar o jogo do bicho no estado. O esquema utilizava corrupção, lavagem de dinheiro e até roubos para manter um monopólio.

O objetivo do grupo era expandir a atuação para outras regiões. As investigações foram conduzidas pelo Gaeco, o grupo especial de combate ao crime organizado. O caso é um desdobramento da Operação Ouvidos Moucos, deflagrada em 2017.

O pedido de bloqueio de bens da família chegou a trinta e seis milhões de reais. Além da prisão, a sentença o proíbe de exercer função pública por oito anos. Uma segunda ação penal sobre o caso ainda aguarda julgamento.

Os próximos passos judiciais

A defesa do ex-deputado informou que aguarda sua transferência para Campo Grande. Os advogados afirmam acompanhar todos os desdobramentos legais do processo. Eles podem recorrer das decisões, o que é comum em casos desta magnitude.

O Ministério Público Federal, autor da denúncia original, ainda não se manifestou publicamente. A silêncio das autoridades em momentos assim costuma indicar que os trâmites seguem internamente. O caso segue em aberto, com possibilidade de novos capítulos.

A prisão encerra um capítulo de buscas, mas não a história toda. Ela simboliza um passo significativo na aplicação da sentença, após anos de espera. A justiça agora segue seu curso, dentro dos prazos e ritmos que lhe são próprios.

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