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Maurício é único denunciado pelo STJD com código usado 49 vezes

Você acompanha o dia a dia do futebol e sabe como alguns lances geram polêmica. Um deles envolveu o meia Maurício, do Palmeiras, e agora virou caso na Justiça Desportiva. Ele é o primeiro atleta nesta edição do Brasileirão a ser formalmente denunciado pela Procuradoria do STJD. A acusação específica é de ter golpeado um adversário de maneira temerária durante uma disputa de bola.

O artigo usado na denúncia é o 254 do Código de Justiça Desportiva. Essa regra trata de jogada violenta e prevê suspensão que pode variar de um a seis jogos. O lance em questão foi registrado pelo árbitro com um código específico na súmula, o A1.11, que descreve exatamente essa infração. O curioso é que esse mesmo código apareceu muitas vezes até agora no campeonato.

Um levantamento feito pelo próprio Palmeiras analisou as súmulas dos 205 jogos do Brasileirão. A ocorrência "A1.11" foi anotada 49 vezes e envolveu 46 jogadores diferentes. Na grande maioria desses casos, 48 para ser exato, a arbitragem puniu o lance apenas com cartão amarelo. Maurício, que também recebeu amarelo na partida, se tornou a única exceção, sendo o único denunciado formalmente até o momento.

A reportagem tentou contato com o STJD por três vezes ao longo de um dia. O órgão não respondeu ao questionamento central: por que Maurício foi o único denunciado entre todos os jogadores que levaram amarelo pela mesma infração? A audiência para julgar o caso do meia está marcada para esta terça-feira, a partir das dez horas da manhã, no horário de Brasília.

A reação dentro do Palmeiras

A relação entre o clube e o STJD não anda nada fácil neste ano. A direção alviverde está visivelmente incomodada com uma série de decisões consideradas controversas. Em abril, o técnico Abel Ferreira recebeu uma punição inédita de sete jogos de suspensão. O caso do atacante Paulinho também gerou estranheza: ele foi inocentado inicialmente, mas depois o pleno do STJD aplicou uma partida de suspensão pela sua comemoração em um jogo.

Outro exemplo recente é o do atacante Allan, que levou dois jogos de suspensão após ser expulso em uma partida contra a Chapecoense. Diante da denúncia contra Maurício, o Palmeiras não ficou quieto. O clube emitiu uma nota oficial criticando o STJD de forma contundente. No comunicado, a entidade afirmou que a decisão representa uma afronta à sua instituição e à própria autoridade da arbitragem brasileira.

O próprio jogador se manifestou sobre o assunto após uma vitória contra o Fortaleza. Maurício deixou claro que está triste com toda a repercussão do lance. Ele afirmou que a ação foi totalmente sem intenção de machucar, e que seu histórico mostra que não é um atleta maldoso. O meia disse receber a denúncia de forma muito estranha, mas evitou se aprofundar no tema, citando o receio de novas punições.

Especialistas analisam os dois lados da moeda

A reportagem ouviu a opinião de dois advogados especialistas em Direito Desportivo, e as visões sobre o caso divergem. Para Felipe Crisafulli, o fato de Maurício ser o único denunciado não tem ligação direta com a grande repercussão na mídia. Ele explica que, como regra, todo lance que pode configurar uma infração disciplinar, especialmente quando está na súmula, é analisado pela Procuradoria.

Crisafulli levanta uma possibilidade interessante. A ausência de denúncias nos outros casos com o código A1.11 pode estar mais relacionada ao árbitro da partida específica. Talvez houve uma incorreção na interpretação inicial do lance. Em outras palavras, a conduta do atleta poderia ter sido registrada sob outro código, relacionado a uma falta mais grave, que justificaria até uma expulsão direta, e não apenas o amarelo.

Já na avaliação de Kiara Schiavetto, o STJD precisa apresentar uma justificativa clara e objetiva para tratar o caso de Maurício de forma diferente. A especialista afirma que a seletividade, por si só, não prova perseguição, mas pode criar uma forte percepção de tratamento desigual. Fatores como a gravidade da jogada, a qualidade das imagens disponíveis ou o burburinho em torno do lance podem ter influenciado a decisão final.

Schiavetto conclui que, se a denúncia estiver baseada em elementos concretos que realmente diferenciem esse episódio dos demais, ela pode ser juridicamente válida. Caso contrário, a ausência de isonomia na atuação do órgão certamente se tornará alvo de muitas críticas. O desfecho do caso agora depende dos argumentos que serão apresentados na audiência marcada.

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