O cenário do caso Americanas ganhou um novo capítulo. A Justiça Federal identificou indícios preocupantes durante as investigações. Eles apontam para uma possível tentativa de apagar vestígios importantes no computador de um ex-presidente e no celular de outro executivo.
A juíza responsável pelo processo destacou essas questões em um recente despacho. Os fatos chamam a atenção pelo momento em que aparecem, pouco antes de uma nova fase de buscas. O foco dessa etapa foram os principais acionistas da rede varejista.
Esses indícios levantam dúvidas sobre a integridade das provas entregues. A magistrada avalia que, em um contexto de transparência, o comportamento teria sido diferente. A situação coloca mais complexidade em um caso que já é bastante conturbado.
Os equipamentos e as questões levantadas
Um dos pontos centrais é o estado dos aparelhos fornecidos pela própria Americanas. O celular atribuído ao ex-presidente Miguel Gutierrez foi entregue formatado à Polícia Federal. Isso significa que todos os dados de fábrica foram restaurados.
A empresa entregou o dispositivo como sendo o utilizado pelo executivo. Por essa lógica, a conclusão da magistrada é direta. Ela afirma que os aparelhos foram formatados antes de seguirem para as autoridades.
No caso do ex-CEO Sergio Rial, a questão envolve um computador. A perícia constatou que as pastas do sistema estavam completamente vazias. A empresa havia informado que Rial não usava celular corporativo, apenas esse computador.
A reação das defesas e da empresa
As defesas dos envolvidos se manifestaram sobre as acusações. A equipe de Sergio Rial destacou que o computador foi entregue meses após sua saída da companhia. Eles afirmam que não há prova de que ele tenha usado aquele equipamento ou apagado arquivos.
A nota também menciona que, no período entre a saída do executivo e a entrega do computador, pessoas envolvidas nas fraudes ainda estavam na empresa. A defesa de Miguel Gutierrez preferiu não comentar o teor do despacho.
A Americanas, por sua vez, emitiu uma nota oficial. A empresa afirma que sempre colaborou com as investigações, entregando os equipamentos no estado em que foram encontrados. Ela reforça que se considera vítima no processo e não teve acesso ao conteúdo da decisão judicial.
A relação com os acionistas de referência
O despacho também aborda a relação entre os ex-executivos e os acionistas majoritários. A juíza vê Miguel Gutierrez como uma pessoa de confiança do trio de controladores. Essa visão contraria o argumento principal da defesa dos acionistas.
Eles sustentam que foram enganados pela diretoria anterior. A magistrada pondera, porém, que a falta de provas documentais de conversas explícitas pode ser intencional. O objetivo, nesse caso, seria eximir os envolvidos de responsabilidades.
Os acionistas Beto Sicupira, Paulo Lemann e Eduardo Saggioro reafirmaram sua posição. Eles citam diversas investigações e acordos de colaboração que, em sua visão, comprovam que foram sistematicamente enganados. O caso segue seu curso, com cada parte mantendo sua narrativa sobre os fatos.
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