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Oposição pede ao TCU suspensão de edital bilionário de megaterminal de Santos

Uma movimentação no Congresso acendeu um novo alerta sobre um grande contrato no porto de Santos. Parlamentares de oposição pediram ao Tribunal de Contas da União que pare imediatamente a licitação de um condomínio logístico no local. O valor do empreendimento chega a impressionantes R$ 1,06 bilhão.

Os deputados alegam que a autoridade portuária usou um modelo de contratação questionável. Essa manobra, segundo eles, tirou o projeto da análise prévia dos órgãos de controle. O objetivo teria sido restringir a competição e facilitar um resultado irregular. O pedido inclui a suspensão do edital e do contrato já assinado.

Eles também solicitaram uma auditoria completa do processo pelo TCU. A ideia é que o tribunal declare a licitação nula, anulando todo o procedimento. O grupo é formado por deputados de partidos como Novo, PL e Republicanos, além de um senador.

O pedido de afastamento de um ministro

A representação vai além e pede o impedimento do ministro do TCU Bruno Dantas. O motivo seria um conflito de interesses em potencial. Reportagens revelaram que uma das empresas envolvidas é administrada por um cunhado do ministro. Além disso, a esposa dele também figura entre os administradores da empresa vencedora.

Os parlamentares ressaltam que não acusam Dantas de irregularidade. No entanto, destacam que o regimento interno do tribunal prevê esse tipo de impedimento. A regra se aplica quando há processos que envolvem interesses de cônjuges. Procurado, o ministro não se pronunciou sobre o caso.

A empresa vencedora, Portolog, também optou por não comentar as alegações. A Autoridade Portuária de Santos, por sua vez, nega veementemente qualquer irregularidade no processo. O contrato, no momento, já se encontra suspenso por decisão de um tribunal regional federal.

As falhas apontadas pela agência reguladora

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários já identificou problemas técnicos no edital. A própria Antaq reconheceu que havia motivos para questionar a legalidade da licitação. A análise da agência, porém, foi interrompida por uma decisão da Justiça, que suspendeu temporariamente o processo.

Quando a suspensão judicial foi derrubada, em maio, a Antaq não retomou sua análise. Nesse intervalo, a autoridade portuária homologou o resultado e assinou o contrato. A agência argumenta que sua decisão inicial era cautelar e não um julgamento final sobre a validade do edital.

Segundo a Antaq, o processo ainda aguarda uma decisão definitiva de sua diretoria. A agência afirma que continua colhendo elementos técnicos para fundamentar seu parecer final. O caso, portanto, segue em aberto do ponto de vista regulatório.

Os prazos curtos e a disputa solitária

O edital do condomínio logístico foi publicado em outubro do ano passado. O documento deu apenas 16 dias úteis para as empresas analisarem o complexo projeto. Elas precisavam preparar estudos e apresentar propostas nesse curto espaço de tempo. O prazo é considerado exíguo para um negócio desse porte.

Uma empresa interessada foi desqualificada durante o processo licitatório. Com isso, a Portolog se tornou a única com uma proposta considerada válida. Foi assim que o consórcio acabou vencendo a licitação de maneira solitária.

A concorrência já era criticada não só pelo prazo apertado. A área em questão é vista por empresas locais como vital para as operações do porto. A autoridade portuária, contudo, descreve o local como um simples espaço de manobras. A APS garante que o condomínio não afeta as operações portuárias regulares.

O futuro leilão do Tecon 10

Enquanto esse caso se desenrola, outro grande leilão no porto de Santos segue seu curso. O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, deu novos prazos para o megaterminal conhecido como Tecon 10. Ele afirmou que o edital pode ser lançado ainda este ano, após ajustes na modelagem.

Franca explicou que o novo desenho precisa passar por análise da Antaq e do TCU novamente. Todo esse trâmite burocrático leva tempo. O ministro estima um prazo mínimo de sessenta a noventa dias só para a publicação do edital definitivo.

Com base nesse cronograma, a expectativa do governo é realizar o leilão apenas no início de 2027. A transação promete ser a maior da história do setor portuário brasileiro. O Tecon 10 será construído em uma área vizinha ao condomínio logístico que hoje está no centro da polêmica.

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