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‘Vou te matar’, diz advogado a coconspirador de Epstein em julgamento

O depoimento de um bilionário americano no Congresso ficou marcado por um momento bastante peculiar. O advogado do empresário foi flagrado fazendo uma advertência inusitada ao seu cliente. O episódio ocorreu durante uma sabatina sobre a relação do magnata com o criminoso sexual Jeffrey Epstein. A cena revela o clima tenso e as estratégias que costumam permear esses interrogatórios públicos.

Leslie Wexner, fundador da marca de lingeries Victoria’s Secret, foi ouvido por cerca de quatro horas. Ele foi questionado sobre sua longa amizade com Epstein, que durou cerca de vinte anos. O bilionário, hoje com 88 anos, tentou durante todo o tempo negar qualquer envolvimento com os crimes de seu ex-associado. No entanto, um instante de descontração roubou a cena e viralizou.

Em um áudio que vazou, o advogado Michael Levy sussurrou uma instrução direta no ouvido de Wexner. Ele disse, de forma claramente brincalhônea, que "mataria" o cliente se ele respondesse outra pergunta com mais de cinco palavras. O bilionário sorriu e respondeu apenas com um "ok" antes de continuar o depoimento. O tom de brincadeira não esconde o objetivo tático: respostas curtas e controladas.

O contexto da investigação

Wexner foi convocado para depor porque seu nome apareceu em documentos do FBI. Ele foi listado como um possível "coconspirador" de Epstein em um relatório de 2019. É crucial entender que essa menção não constitui uma acusação formal. Ela apenas indica que a pessoa estava no círculo de relacionamentos do criminoso. Os parlamentares americanos investigam todos os nomes que surgem nesses arquivos para buscar possíveis conexões.

Durante a sessão, o empresário admitiu ter visitado a famosa ilha de Epstein uma única vez. Ele foi categórico ao afirmar que nunca viu ou soube de qualquer atividade criminosa por lá. Wexner garantiu aos congressistas que nunca testemunhou, tolerou ou acobertou ações ilegais de seu então amigo. Sua defesa se baseou na ideia de que ele também foi uma vítima do esquema.

O rompimento entre os dois aconteceu há quase vinte anos, segundo o bilionário. Ele contou que descobriu que Epstein era um "abusador, um criminoso e um mentiroso". Wexner também acusou o antigo parceiro de desviar seu dinheiro para comprar propriedades. Em suas palavras, ele foi enganado por um "vigarista". A relação, que começou com Epstein atuando como seu gestor financeiro pessoal, terminou de forma definitiva e amarga.

Os detalhes revelados e o arrependimento

Um dos momentos mais constrangedores do depoimento foi a confirmação de uma mensagem peculiar. Wexner admitiu ter escrito um e-mail para Epstein contendo um desenho de um par de seios. Ele disse se arrepender profundamente da ação e atribuiu o conteúdo a uma brincadeira de aniversário. Esse tipo de revelação mostra o nível de intimidade que existia naquela amizade antes da descoberta dos crimes.

O ex-CEO também confirmou, sob questionamento, que Epstein mantinha conexões com outras figuras poderosas. Nomes como os da família Rothschild, Jeff Bezos e o Google foram mencionados no contexto da rede de contatos do criminoso. Essas informações são parte do esforço dos investigadores para mapear a extensa e influente rede que Epstein construiu ao longo dos anos.

O depoimento se encerrou sem grandes confrontos, mas deixou questões no ar. A estratégia do advogado, embora apresentada como uma piada, cumpriu seu papel de manter as respostas do cliente dentro de um roteiro seguro. O caso segue como um exemplo de como investigações públicas podem revelar tanto sobre os depoentes quanto sobre os métodos usados para protegê-los. A busca por respostas sobre o caso Epstein continua, envolvendo nomes de diversos setores da elite global.

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